Valéria Neno, cenógrafa, contou ao Palavras em Rede um pouco de sua participação na produção do evento.
No segundo andar do Centro de Convenções, a descontraída conversa se deu num espaço confortável com painel de entrevistas coletivas, mesas, sofás e uma livraria móvel da UFMG. Abaixo, a entrevista.
Felipe Bianchi: Desde quando está envolvida no projeto?
Valéria Neno: Há três anos. Participo desde a segunda edição e minha parte é design de ambiente e cenografia. Fui convidada exatamente para dar uma cara diferente para o evento, essa proximidade em relação as pessoas e autores, essa história da ambientação ser muito descontraída, ter essa liberdade de ter um bar funcionando e as pessoas poderem comer um tira-gosto, tomar alguma coisa, se refrescar, né, porque geralmente essa época é muito quente…
FB: E o ambiente também está bem fresco com aquele sistema de ventilação (nota: sistema de pequenos canos que dão pequenas borrifadas de água seguida de ventilação, para refrescar o ambiente)
VN: Então, esse ano a gente introduziu inclusive o que era um pedido dos anos anteriores, pois havia problema com a climatização. Mas você viu aí que esse ano estamos cheios de ventiladores, jatinhos, uma delícia…
FB: E aqui (em Ouro Preto) é quente a tarde, né.
VN: É, é muito quente.
A gente tem também essa preocupação em relação ao som, iluminação, de que seja uma coisa bem aconchegante e que as pessoas se sintam realmente a vontade.
Eu faço todo o trabalho em cima do logotipo do evento, que é a voluta. Essa voluta barroca, além de combinar muito com Ouro Preto, acho que quer dizer muita coisa dessa sinuosidade das curvas, desses elementos, que eu acho que indica muito também essa liberdade dos escritores e da própria literatura. Muitas curvas, muitas facetas. É muito importante para nós da cenografia as pessoas acharem isso tudo muito bonito. É um clima que ajuda muito na apreciação, as pessoas se sentirem respeitadas por estarem num ambiente agradável.
Esse ano eu trabalhei com a fechadura. Olhar por ela nos remete a história do mistério, e o interessante que coincidiu exatamente eu ter escolhido Dom Casmurro para colocar lá dentro e a Globo ter todo esse estande em cima de Capitu, que está maravilhosa, e eu achei legal essa interação também.
Nossa equipe está muito satisfeita.
É muito interessante a Universidade dar essa oportunidade aos alunos, não só de estar dando bolsas mas também de oferecer um evento que proporciona um ótimo aprendizado.
FB: Quando começou o trabalho dessa quarta edição?
VN: Desde abril estamos trabalhando sobre o tema. O Centro de Convenções tem uma infra-estrutura muito legal. Estamos com uma equipe muito legal.
FB: O tema. O tema por si só já é um mistério.
VN: É. O mistério é essa coisa do atrativo. Todo o trabalho gráfico apresenta formas misteriosas, da voluta, e o painel, que é uma homenagem a Ouro Preto, que é essa coisa belíssima da névoa de Ouro Preto. Coincidentemente, muitas pessoas puderam ver isso no princípio do festival, pois estava chovendo, então puderam ver o que o painel representa.
FB: E esse cenário é uma marca de Ouro Preto, né?
VN: Sim, é lindo, de flutuar. Ouro Preto, que é uma coisa tão densa, tão pesada, flutuando como se fosse pedaços de anjo. O painel ainda tem uma cor diferente do logotipo. Todo ano a gente trabalha muito com o branco, preto e vermelho, que são as cores tradicionais do evento. Dessa vez, usei o azul porque como o Fórum é televisionado pela própria TV Ufop e o CPPA (Centro de Produção e Pesquisa Audiovisual), além de ter cobertura fantástica da Globo Minas, Rede Minas e Canal Futura, e isso vira um programa do Futura depois, eu tive a intenção de usar o azul porque , na TV, essa cor explode em beleza.
FB: Muito obrigado, Valéria. Parabéns pelo trabalho.
VN: De nada, Felipe. Acessarei o blog depois.
Postado por Felipe Bianchi