Em “onde pulsa o segredo do conto”, João Corracoza, escritor, profesor e redator de propaganda, define o conto como um arbusto, onde a memória coletiva e pessoal, caracterizadas pela vivência de cada autor, emcaminha as surpresa e impactos que podem ser observadas pelos leitores. Tais objetos são como ramos ou pequenos animais, que aparecem no arbusto apenas para o espectador atento. O escritor de contos Eric Nepomuceno, defende a memória como matéria-prima de qualquer obra literária, e propõe a imaginação como ferramenta de criação. Afirma que literatura é partir de um dado real, com adições de elementos fictícios, destinados a impactar o leitor, causando emoções diferentes em cada um, a partir da experiência de mundo que tenham apreendido. Já Jerônimo Teixeira, Jornalista e mestre em comunicação, acredita que pode-se escrever sobre o que não foi vivido, basta apenas ter vivênciado. Argumenta que as pessoas ao redor, desde familiares até estranhos das ruas, inserem experiências e divergências ao logo de nossas vidas.
A conversa ainda remete a influência que a figura paterna possui na obra de cada autor, partindo da perpectiva do simples incentivo diário de um pai, e seguindo até o maior elo entro ambos, a convivência.
O último tópico abordado é a incomunicabilidade comum aos textos de Corracoza, Nepomuceno e Teixeira, principamente sob a forma de silêncios e ocultamentos. Destacam que muitas vezes um autor é interpretado de modo diferente de sua intencionalidade, e outras vezes o desfecho de uma obra simplesmente não é passível de interpretação, uma vez que o autor intenciona o impacto pelo vazio.
O que ficou claro ao longo do debate, foi o fato do escritor não ter controle sobre sua obra após a mesma ser publicada. Ou seja, a interpretação funciona como conseguinte de cada individuo. Um final singular, pode muito bem remeter a uma pluralidade de significados.
Texto por: Enrico Mencarelli.





