Parafraseando Rubem Alves, que demonstrou sua paixão pelas palavras no Fórum das Letras, o professor tem como dever burlar a burocracia, por ser com os alunos o seu compromisso essencial e funcional, não com os burocratas.
No mesmo dia que o escritor expressou sua opinião, presenciei uma situação que me fez pensar sobre movimentos artísticos e suas relações com a burocracia.
Ao final de um cortejo que exaltava diferentes batuques brasileiros, encontrava-se um palco onde a arte iria – ou deveria- se manifestar. A poesia se manifestou com eloqüência e combinações contemporâneas, porém a música foi barrada pela burocracia.
Frente ao prédio desenhado por Oscar Niemeyer, comunista confesso e conhecido por seu caráter artístico inovador, a arte foi vencida pela burocracia. Com a ajuda de leis e do órgão de segurança pública, os hóspedes do hotel, desenhado por Niemeyer, conseguiram calar a arte e dormir no mesmo silêncio em que dormem todos os dias de sua vida corriqueira.
Assim como o professor, a meu ver, o artista tem o dever de burlar a burocracia, por ter compromisso com a sociedade, não com os burocratas.
Passamos por um período decadente da educação no Brasil. Os professores foram transformados em funções mecânicas que seguem horários e mandamentos inúteis para a boa educação, assim como um operário que bate cartão e aperta o mesmo botão o dia todo. A instituição educacional no Brasil (talvez no mundo) se transformou em uma rede que se assemelha a uma empresa sem compromissos com a sociedade (os alunos, no caso).
A arte, quando submetida à burocracia, caminha para a mesma inversão de valores. No contexto atual, só consigo esperar uma reação dos artistas para libertar a arte de mandamentos absolutos e mesquinhos, pois, infelizmente, nós, apreciadores, só lutamos da boca pra fora.
Raísa Geribello
É Raisa..Concordo com suas palavras sobre os desvios funcionais,e infelizmente o seu final é fato: Nascemos incendiários e morremos bombeiros! O espírito de mudança revolucionária vem e vai na mesma proporçao de rapidez.E quanto mais velhos somos mais tendemos a bombeiros,buscamos amenizar e somos condicionados a todo instante a aceitar mais e mais o funcionalismo vão,a burocracia ineficiente e a padronizaçao social. Tomara pois,que os artistas- trangressores vanguardistas naturais- atuem por nós no sentido da valorizaçao e expressao maxima da arte,mas uma arte livre de imposiçao, purista ou misturada, desde que verdadeira!
Raísa e todos,
Sou professora da rede municipal há 32 anos e não perdi o fôlego! O desejo de mudança é maior que a burocracia.
Ontem fui ao lançamento de “A Poesia do Encontro” de Elisa Lucinda e Rubem Alves aqui no Rio de Janeiro e lembrei-me deste espaço que deve ser mantido. A palavra é poderosa e o blog é uma boa ferramenta de divulgação de idéias.
Não pude ir neste ano ao Fórum das Letras, mas acompanhei quase tudo pela Internet até descobri-los.
Fiz divulgação no meu blog e meus contatos em Portugal assistiram às palestras.
O Fórum das Letras é especial para mim por tudo o que vivi no ano passado e pela citação no Yahoo Educação pelo trabalho que fiz sobre Ouro Preto e sobre o Fórum em meu blog.
Abraços.