Estudioso das obras de Machado de Assis e Guimarães Rosa, Audeumaro Taranto Goulart conversa abertamente com o estudante de jornalismo Douglas Gomides sobre suas perspectivas a respeito da cidade de Ouro Preto e a mágica que nela transparece.
Estudioso das obras de Machado de Assis e Guimarães Rosa, Audeumaro Taranto Goulart conversa abertamente com o estudante de jornalismo Douglas Gomides sobre suas perspectivas a respeito da cidade de Ouro Preto e a mágica que nela transparece.
Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho.De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres. Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaços para baterem suas asas. Só fica um grande
buraco na alma, que cada um enche como pode. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.
Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim; tem sempre uma coisa apetitosa dentro. Do alçapão para a gaiola, o caminho foi curto, através da Ponte dos Suspiros.
Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal. O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera seus filhotes na gaiola. A mãe, desesperada com o destino dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, traz no bico um galho de veneno. Meus
filhos, a existência é boa só quando é livre. A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa… Ó filhos, voemos pelo azul…! Comei…!
É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao filho, foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você está seguro pelo resto de sua vida. Nada há a temer. Não é preciso se preocupar.
Acostuma-se. Cante bonito. Agora posso morrer em paz.
Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores com seu mágico bater de asas; os urubus nos seus vôos tranquilos da fundura do céu; as rolinhas arrulhando, fazendo amor. As pombas voando como flexas. Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranquilizavam. Ele queria ser como os
outros pássaros, livres…Ah! se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair.
Agachou-se no galho, para Ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais adiante. Teve vontade de ir até la. Perguntou-se se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais
que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.
- Ei, você -era uma passarinha. - Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá…
Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de
pimentas. A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele. Teria de
dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.Tremeu de medo. Nunca imaginaria que a liberdade fosse tão complicada.
Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve
saudade da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.
Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta, disse:- Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar.
fonte http://digoeu.blogs.sapo.pt/arquivo/342544.html
postado por Luana Viana e Luiza Lourenço
Sexta-feira, dia 07 de novembro
E a Casa da Ópera se encontrou cheia mais uma vez. Nada mais que justo uma homenagem ao convidado do terceiro dia do Fórum das Letrinhas, Rubem Alves.
Antes do Bate-papo com o público, o escritor assistiu a uma adaptação para teatro de seu livro “A Casa” , apresentada pela Companhia Atrás de Teatro.
Rodeado por crianças, o ambiente não lhe era estranho. “As crianças são honestas e minhas amigas” disse Rubem Alves, revelando sua consideração por elas, quando trocou a poltrona pelo chão do palco. Foi dali que ele contou um pouco da sua história de vida, relacionando-a com suas criações.
Livros como “O Patinho que Não Aprendeu a Voar”, “A Menina e o Pássaro Encantado”, ” A Árvore e a Aranha” são resultados de experiências de sua própria vida, que transcritas para a linguagem infantil trazem novas visôes e reflexões para quem os lê.
“Grande é a poesia, a bondade e as danças. Mas a melhor coisa do mundo são as crianças.” Citando Fernando Pessoa, Rubem Alves sintetiza o valor em cultivar a literatura nos que estão apenas começando a criar.
Leia o conto “O Passarinho Engaiolado” em http://palavrasemrede.wordpress.com/category/variedades/
postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.
foto por Luiza Lourenço.
Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil, é um estudioso das relações entre Portugal e Brasil desde a época da colonização. Nessa interessante conversa, Júlia Abrão e Douglas Gomides abordaram diversos aspectos das duas culturas, a portuguesa e a brasileira. Francisco Seixas relaciona as literaturas de ambos países e também fala sobre os mistérios do passado português na cidade de Ouro Preto.
veja a entrevista completa em:
Logo depois da palestra “1808 – a invenção do Brasil”, aproveitei para conversar com um de seus participantes. O escritor Fuad Yazbeck disse sobre a diferença entre a escrita historia e a literária, bastante discutida em sua palestra. Yazbeck é autor de diversas crônicas, contos e artigos científicos. Segundo ele, na literatura você tem uma certa liberdade que a história não permite.
“Quando você faz um trabalho de história, você está subordinado aos rementos, aos fatos, aos documentos e você deve evitar ao máximo. Pelo menos esse me parece ser o papel do historiador, você deve fazer uma insenção completa para que não haja, sobre o fato, qualquer intervenção de seus próprios valores, das suas idéias e das suas posições. Porém, quando você escreve um romance, você é absolutamente livre para exprimir o que tem em mente, e colocar suas opiniões, colocar suas versões, colocar as suas idéias, suas ideologias.”
Em seguida, Yazbeck comentou sobre diversas mudanças que a literatura brasileira sofreu desde do Século XVIII. O escritor utilizou como exemplo os Incofidentes em Ouro Preto,
” … o horizonte literário se restringia a um horizonte bastante estreito, que era o próprio horizonte de Vila Rica, da Província de MInas Gerais e quando muito, o universo do Brasil.”
Na opinião de Yazbeck, hoje em dia existe um universo que é realmente “universal”, e com isso você tem um público mais abrangente. Nas palavras do escritor, a tecnologia ajudou muito para alcançar tal abrangência. “Isso tudo,é resultado do procresso evolutivo que ocorre na sociedade e, consequentemente, na literatura.”
Escrito por Douglas Gomides
Quinta-feira, 6 de novembro de 2008.
Um encontro majestoso.
Sob o enunciado “O mistério do encontro entre Letra e Música”, um excelente trio ditou o ritmo no Centro de Convenções. Pasquale Cipro Neto, Fernando Brant e Celso Adolfo, com a mediação de Jorge Fernando dos Santos, realizaram um encontro agradável e divertido. A missão: analisar a questão nem sempre simétrica do equilíbrio entre semântica, fonética e musicalidade. O resultado?
A intimidade de Celso Adolfo e Fernando Brant com Milton Nascimento foi lembrada em várias ocasiões, como nos exemplos de composição lírica e musical em conjunto com o renomado artista. Celso Adolfo fez questão de dizer que raramente compõe a letra antes da música. Quando o faz, trata de preparar uma letra com métrica irretocável, visando a fluidez na fusão dos elementos que comporão a música.
Pasquale falou de sua relação com o tema da palestra. Desde suas primeiras aulas ministradas (lembra que começou a dar aulas em 1975) utilizou exemplos musicais para ilustração gramatical. Declarou ser amante da boa música, em especial da Música Popular Brasileira, e revelou, em tom irreverente, ser sua casa um verdadeiro centro de audição de discos.
No meio de tanta conversa, uma linda apresentação musical de Celso Adolfo e Fernando Brant trouxe ares renovadores para o Fórum das Letras. A melodia se espalhou pelo ar e o lirismo tomou conta dos presentes.
Uma palestra e tanto.
Uma sinfonia impecável, regida perfeitamente, com instrumentistas de alto escalão.
Postado por Felipe Bianchi
Valéria Neno, cenógrafa, contou ao Palavras em Rede um pouco de sua participação na produção do evento.
No segundo andar do Centro de Convenções, a descontraída conversa se deu num espaço confortável com painel de entrevistas coletivas, mesas, sofás e uma livraria móvel da UFMG. Abaixo, a entrevista.
Felipe Bianchi: Desde quando está envolvida no projeto?
Valéria Neno: Há três anos. Participo desde a segunda edição e minha parte é design de ambiente e cenografia. Fui convidada exatamente para dar uma cara diferente para o evento, essa proximidade em relação as pessoas e autores, essa história da ambientação ser muito descontraída, ter essa liberdade de ter um bar funcionando e as pessoas poderem comer um tira-gosto, tomar alguma coisa, se refrescar, né, porque geralmente essa época é muito quente…
FB: E o ambiente também está bem fresco com aquele sistema de ventilação (nota: sistema de pequenos canos que dão pequenas borrifadas de água seguida de ventilação, para refrescar o ambiente)
VN: Então, esse ano a gente introduziu inclusive o que era um pedido dos anos anteriores, pois havia problema com a climatização. Mas você viu aí que esse ano estamos cheios de ventiladores, jatinhos, uma delícia…
FB: E aqui (em Ouro Preto) é quente a tarde, né.
VN: É, é muito quente.
A gente tem também essa preocupação em relação ao som, iluminação, de que seja uma coisa bem aconchegante e que as pessoas se sintam realmente a vontade.
Eu faço todo o trabalho em cima do logotipo do evento, que é a voluta. Essa voluta barroca, além de combinar muito com Ouro Preto, acho que quer dizer muita coisa dessa sinuosidade das curvas, desses elementos, que eu acho que indica muito também essa liberdade dos escritores e da própria literatura. Muitas curvas, muitas facetas. É muito importante para nós da cenografia as pessoas acharem isso tudo muito bonito. É um clima que ajuda muito na apreciação, as pessoas se sentirem respeitadas por estarem num ambiente agradável.
Esse ano eu trabalhei com a fechadura. Olhar por ela nos remete a história do mistério, e o interessante que coincidiu exatamente eu ter escolhido Dom Casmurro para colocar lá dentro e a Globo ter todo esse estande em cima de Capitu, que está maravilhosa, e eu achei legal essa interação também.
Nossa equipe está muito satisfeita.
É muito interessante a Universidade dar essa oportunidade aos alunos, não só de estar dando bolsas mas também de oferecer um evento que proporciona um ótimo aprendizado.
FB: Quando começou o trabalho dessa quarta edição?
VN: Desde abril estamos trabalhando sobre o tema. O Centro de Convenções tem uma infra-estrutura muito legal. Estamos com uma equipe muito legal.
FB: O tema. O tema por si só já é um mistério.
VN: É. O mistério é essa coisa do atrativo. Todo o trabalho gráfico apresenta formas misteriosas, da voluta, e o painel, que é uma homenagem a Ouro Preto, que é essa coisa belíssima da névoa de Ouro Preto. Coincidentemente, muitas pessoas puderam ver isso no princípio do festival, pois estava chovendo, então puderam ver o que o painel representa.
FB: E esse cenário é uma marca de Ouro Preto, né?
VN: Sim, é lindo, de flutuar. Ouro Preto, que é uma coisa tão densa, tão pesada, flutuando como se fosse pedaços de anjo. O painel ainda tem uma cor diferente do logotipo. Todo ano a gente trabalha muito com o branco, preto e vermelho, que são as cores tradicionais do evento. Dessa vez, usei o azul porque como o Fórum é televisionado pela própria TV Ufop e o CPPA (Centro de Produção e Pesquisa Audiovisual), além de ter cobertura fantástica da Globo Minas, Rede Minas e Canal Futura, e isso vira um programa do Futura depois, eu tive a intenção de usar o azul porque , na TV, essa cor explode em beleza.
FB: Muito obrigado, Valéria. Parabéns pelo trabalho.
VN: De nada, Felipe. Acessarei o blog depois.
Postado por Felipe Bianchi
Quinta-feira, 07 de novembro.
Às 10h10, os alunos do 4° ano da Escola Municipal Monsenhor João Castilho Barbosa subiram a Rua Xavier da Veiga para adentrar o mundo da poesia e desvendar os mistérios da rima.
Não teria lugar melhor senão a Biblioteca Municipal de Ouro Preto para promover esse encontro, comandado por José Santos e seu filho Jonas Matos, de 13 anos.
Apesar da pouca idade, Jonas demonstrou ter perfeita sintonia com a literatura, prova disso é sua participação na autoria do livro “A Casa do Franquis Tem”, em conjunto com seu pai.
Orientadas pelos escritores, a garotada propôs palavras que formaram as rimas do poema ” A bruxinha”. Após a Oficina, todo participante saiu se sentindo um pouco mais poeta.
postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.
foto por Luiza Lourenço
“Diadorim é minha neblina” – foi isso que Riobaldo, personagem de “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, disse relacionando a moça com sua capacidade de não enxergar, de não ver, de não viver. É exatamente essa neblina que simboliza o mistério intrínseco na personagem Diadorim, ao longo da obra de Guimarães Rosa.
Esse tema, juntamente com o mistério em relação ao adultério da personagem Capitu, na obra “Dom Casmurro” de Machado de Assis, foi desmembrado e amplamente questionado numa conversa com quatro importantes críticos literários dos tempos atuais: Marli Fantini, Benjamin Abdala Junior, Audemaro Taranto Goulart e Márcia de Morais, mediados por Elzira Perpétua.
A conversa, que inaugurou a tarde no Centro de Convenções de Ouro Preto, por volta das 14h30, tentou traçar um paralelo entre duas das mais importantes personagens femininas da literatura brasileira: Diadorim e Capitu. Os quatro participantes estabeleceram esse paralelo aproximando-as pelo mistério que se oculta nas névoas dos “olhos de ressaca” e no verde olhar cansado do sertão.
Márcia de Morais estabelece essa relação entre as duas personagens a partir de Diadorim, que se veste como um jagunço e passa a viver entre homens. O mistério que envolve o gênero sexual Diadorim, diz Márcia, é delicadamente decifrado com pequenas informações e muita atenção ao longo da leitura da obra, embora seja desvendado por completo apenas no grande final. A convidada diz também que o mistério da obra é o próprio olhar de Diadorim. “O mistério é verde e está no livro para ser desvendado”, diz ela.
Audemaro Goulart já estabelece essa relação com outros parâmetros. A fim de evitar considerações óbvias sobre o assunto, o convidado relacionou as personagens a partir do adultério e do homoerotismo – temas centrais dos dois romances. Audemaro decifra o tal enigma aplicando-o a uma desordem social, a uma descontrução de valores. Ambos os enredos das obras trazem uma forma de desestabilizar a ordem, visto que a admiração de Riobaldo por Diadorim é de caráter homossexual (mesmo Diadorim se apresentando mulher no final, Riobaldo se apaixonou por um homem) e que Capitu não estava completamente satisfeita com as relações sociais, demonstrando, assim, uma atitude de sabotagem ao modelo social dominante.
Marli Fantini fala sobre a fraqueza moral de Riobaldo e a dificuldade que o mesmo possui de enxergar quem realmente é Diadorim. Apaixonado, Riobaldo não se conforma quando se defronta com a morte da então recém-descoberta moça. Diz, então: “não escrevo, não falo, não é, não foi, não fica sendo”, a fim de não admitir sua morte. Para Riobaldo, se ele não assumisse a morte de Diadorim, ela não morreria.
O professor Benjamim Abdala termina dizendo ser a literatura de Machado de Assis uma forma de microcosmo da realidade social. Disse também que a causa do ciúme de Bentinho não era apenas Capitu, mas também seu amigo Escobar, pelo qual tinha imensa admiração.
Esse debate teve um importante encaixe como tema geral do Fórum das Letras 2008: “O mistério na literatura”. A articulação dos representantes e a abordagem bastante desmembrada das obras fez com que os ouvintes se interessassem bastante e participassem ativamente do bate-papo no final da apresentação.
Texto por Tábata Romero
Foto por Tábata Romero
Da superfície às profundezas da notícia, da reflexão, do artigo bem trabalhado, das palavras selecionadas, das visões diversificadas, da adequação de excelente conteúdo em forma relativamente reduzida. Todos os elementos, na multiplicidade do evento, movidos à sede empírica de Jornalismo dos alunos da primeira turma de Comunicação Social (Jornalismo) da UFOP.
Esse é o Boletim Letra a Letra.
Produzido por um grupo de estudantes de Jornalismo da UFOP – que não nós -, porém atuando em conjunto, o Boletim Letra a Letra cobre diariamente essa edição do Fórum das Letras. Trazendo abordagens interessantes e um agradável repertório discursivo, nos brindam com a versão impressa da cobertura do evento feita por alunos de Jornalismo.
O Boletim pode ser encontrado durante todos os dias do evento, nos locais onde ocorrem as atividades. E claro, é gratuito.
Não perca a oportunidade de se manter informado… Letra a Letra.
Postado por Felipe Bianchi
Quinta- feira, dia 06 de novembro de 2008
Sanidade Artística
Usúario do CAPS – Foto por: Júlia Abrão
“Fabuloso”. Assim foi definido por Maira Goreti o projeto realizado pelo CAPS – Centro de Apoio Psicossocial, hoje às 10h, na cidade de Ouro Preto. Maira, formada em Artes Cênicas pela UFOP e que trabalha em direção teatral, contou-nos sobre o convite para expor e mostrar um pouco do trabalho do CAPS no Fórum das Letras. Ela disse que o projeto é promovido por Carlos Eduardo Nunes, artista plástico e gerente do CAPS. Segundo Maira, as pessoas atendidas no Centro conseguem se expressar muito além da maneira verbal ao mexer com pintura e desenho. Elas usam signos e altos graus de subjetividade para comunicarem-se através da arte. De uma forma muito atenciosa e disposta a ajudar, o Centro de Apoio Psicossocial tem um projeto includente e de grande importância para pessoas com problema de saúde mental. Sendo assim, a programação do Fórum se mostra diversificada e completa, pois abre espaço à iniciativas como essa.
Maira Goreti- Foto por: Felipe Bianchi
Texto por: Júlia Abrão e Felipe Bianchi
Quinta-feira, 06 de novembro de 2008.
O 2º dia de apresentações fica marcado pela presença de Thalita Rebouças, jornalista e escritora de livros direcionados para o público infanto-juvenil e Léo Cunha, escritor e ilustrador mineiro, adepto da literatura infantil, e atualmente professor de Jornalismo Cultural da UNI-BH.
A abertura do evento contou com a apresentação de dois grupos regionais de teatro: a Companhia Pé da Letra e o Grupo Caça Palavras, que encenaram esquetes de obras dos autores presentes. Ambos os grupos são formados por alunos de Artes Cênicas da UFOP.
A Casa da Ópera, que já foi palco de importantes peças teatrais, se viu tomada por inúmeras crianças, ansiosas para conversar com os autores. Era evidente o interesse que possuíam pelos livros infantis, interesse medido nas perguntas que foram direcionadas à Thalita e Léo. Diante dos questionamentos, revelaram que são inspirados a criar pelo seu público alvo. A autora utiliza de sites de relacionamentos para conhecer e aproximar-se dos jovens, enquanto Léo brinca com o ludismo encontrado no relacionamento com sua filha.
Dentre as obras de Thalita, pode-se ressaltar “Fala sério, mãe!”, componente de uma série de livros com a mesma abordagem. Léo Cunha é ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura Infantil e autor de mais de 30 livros, e entre estes “Era uma vez um reino muito sonolento” ocupa lugar de destaque, por ter surgido de histórias contadas por ele à sua filha.
O encerramento contou com uma sessão de autógrafos e distribuição de livros para a garotada, que saiu satisfeita com a tarde no teatro.
Texto por Luiza Lourenço e Enrico Mencarelli.
Foto por Luiza Lourenço.
O começo: “Comecei a fazer livros quando criança, uma época boa para começar. Meu pai, jornalista, me deu uma força, mas para você ter uma idéia eu fiz Direito. No quinto ano de faculdade, mas sempre desenhando, comecei a fazer Artes Gráficas. Então, me formei como advogado, apesar de nunca exercer a profissão, no mesmo ano em que tomei pau em desenho.”
Influência: “Todo mundo tem, quanto mais, melhor. A formação de artista vai muito de influência, a partir daí que você personaliza seu trabalho. O problema é ser totalmente influenciado, aí vira uma cópia e o trabalho fica pobre. Um grande mestre para mim é Steinberg. Acredito que é uma influência para todos os cartunistas brasileiros. Os artistas plásticos, como Renoir, também Pablo Picasso, que todos se inspiram, e Ziraldo, pelo qual eu tenho grande admiração, fecham minha lista.”
Relação livro, desenho e texto: “Eu e Marcelo Xavier fizemos juntos a Oficina Mágica, que funcionava como um ateliê. Então um editor nos deu a idéia de ilustrarmos livros com nossas produções. Assim me introduzi na literatura, mas não me considero um escritor. Sou um desenhista que escreve.”
Papel: “Você sabia que papel dorme? E quando ele acorda, podemos transformá-lo no que a imaginação mandar. Toda escola que eu conheço tem cola e papel, então resolvi utilizar esse material para me aproximar dos alunos. Quem ilustra, acaba que escreve. Dessa forma, o Fórum das Letrinhas deveria se chamar Fórum das Letrinhas e dos Desenhinhos.”
Entrevista por Luana Viana e Luiza Lourenço com a colaboração de Lorena Caminhas e Simião Castro
Foto por Luana Viana.
“O Fórum das Letras faz de Ouro Preto uma referência viva da leitura, do livro e da literatura na atualidade. Ouro Preto é uma cidade literária, uma cidade que está presente em diversas obras de ficção, de poesia, de estilística. Ouro Preto foi palco de grandes movimentos literários, da própria Inconfidência Mineira, um dos últimos movimentos literários do final do século XVIII. Os modernistas vieram a Ouro Preto em 1924, encontraram aqui as raízes culturais do Brasil que é o resgate do livro em plena época da informática, em plena era digital. Nós estamos vendo que o livro tem uma presença cada vez mais forte na contemporaneidade e que é muito importante trabalharmos com isso. A nossa Biblioteca Pública Municipal é prestigiada pela prefeitura. Hoje ela tem cerca de 10 mil associados e é o maior clube de Ouro Preto. Tem mais associados que o Ouro Preto Tênis Clube (OPTC), de maneira que nós queremos sempre valorizar mais o livro e a leitura, nesse nosso mandato, trabalhando.
Ouro Preto hoje ganhou 3 livrarias completas. Nós não tínhamos livrarias. Demos espaço para o livro,a leitura e a literatura. O Fórum é essa grande convergência”
Entrevista por Douglas Gomides
Antes da conversa com Nelson Motta e Lobão, aproveitei para bater um papo com o público presente. A seguir uma entrevista com Clara Lucarelli de São Paulo, que veio ao Fórum acompanhar seu marido, convidado para participar do evento.
Como você ficou sabendo do Fórum das Letras?
CL: Meu marido é convidado do evento e eu li em alguns jornais também.
Na sua opinião,o que o Fórum das Letras traz para Ouro Preto?
CL: Traz um número grande de pessoas, traz contribuições econômicas e muita gente interessada no movimento cultural da cidade.
Dentre as palestras que irão acontecer,tem alguma especial para você?
CL: Eu gosto muito do Lobão, Nelson Motta, Marçal Aquino, por enquanto foram esses que me chamaram a atenção.
Qual a sua expectativa para o Fórum?
CL: Eu espero acompanhar todas essas palestras e descobrir autores que eu não conheço, principalmente os brasileiros.
Entrevista por Douglas Gomides
Foto por Douglas Gomides
No dia 5 de Novembro, a partir das 16:30, começaram as atividades referentes ao Fórum das Letras no Centro de Convenções da UFOP. Ao chegar no local do evento, me deparei com um estande da Rede Globo. Esse Standat tem o intuito de apresentar para a população,a nova minissérie da Globo, denominada Capitu e baseada na obra do grande Machado de Assis. Aproveitei então para bater um papo com o estudante da Ufop e responsável pela apresentação do estande, Caio Padoan. Nessa conversa, perguntei a Caio quais suas expectativas para o Fórum. Ele disse que eram grandes, principalmente com esse tema principal, o “mistério”. Ainda mais em Ouro Preto, que segundo o entrevistado, é uma cidade misteriosa. Caio ainda elogiou a programação: “Tem muita coisa para ser vista. A programação está ótima. Quem vier vai gostar com certeza”. O estudante acredita que a palestra principal do envento será a do cantor Lobão, que na opinião de Caio poderá dar uma boa discussão (nota: quando a matéria foi publicada, a palestra já havia ocorrido). Para finalizar, questionei a importância de um acontecimento tão grandioso como esse para a cidade. O garoto não pensou duas vezes para responder: “Cultura. É ótimo termos eventos culturais para os estudantes e toda a comunidade”.
Entrevista por Douglas Gomides
Foto por Douglas Gomides
Quarta-feira, 5 de novembro de 2008
Por volta das quatro horas e meia da tarde, um envolvente encontro com Lobão (cantor, instrumentista e compositor) e Nelson Motta (jornalista, escritor e compositor) aconteceu no Centro de Convenções de Ouro Preto. A informalidade dessa apresentação, que funciona como um bate papo entre amigos, fica evidente quando Nelson Motta e Lobão introduzem a conversa citando Tim Maia, reconhecido por eles como o “primeiro músico independente no Brasil”, mostrando que há a possibilidade de ser independente e atingir o público. Lobão diz que a caretice do “politicamente correto”, do padrão aceitável, impede a espontaneidade dos criadores, os artistas.
Destacam que ser independente não é só o fato de um artista não possuir gravadora, mas todo um contexto de comportamento e personalidade que deve ser inserido sob este estigma. O independente seria o livre.
O tom de critica surge no momento em que se trata dos métodos adotados pelos artistas para veiculação de suas músicas: o jabá nas gravadoras. Comentam que o início da produção musical brasileira é marcado por corrupção através de contratos exploradores e abuso da imagem dos artistas.
A internet e toda abrangência proporcionada pela rede, é reconhecida pelos compositores como ”combustível do cenário independente”. A amplitude do tudo em qualquer lugar adicionada ao imaginário glamoroso do rádio causa o desabamento da hegemonia comercial atingida pelas gravadoras. Porém, ao mesmo tempo em que nunca se foi tão fácil gravar, se torna cada vez mais difícil alcançar o sucesso. A democratização do espaço, a popularização da produção tem como conseqüência a aparição dos ídolos regionais, que surgem para substituir a exacerbação dos ícones mundiais. O lucro não está mais presente na venda de CDs, já que downloads de músicas são mais fáceis e baratos, aumentando a valorização da apresentação ao vivo.
Defendem que tecnologia não é sinônimo de sucesso, e que o talento é insubstituível. O exibicionismo ocorrente devido à falsa imagem dos “15 minutos de fama” apresenta como resultado o acúmulo de pseudo-artistas, que em busca do sucesso, invadem os veículos de comunicação com produções muitas vezes mal realizadas e sem contribuição alguma. Apontam como estratégia o bom senso: saber ouvir, lidar bem com palpites e com o orgulho remete, quando existe talento, em resultados excelentes, que durante a conversa foram evidenciados como principal conquista de um artista.
Texto por Enrico Mencarelli
Foto por Tábata Romero
Quarta-feira, 05 de Novembro.
foto por Luiza Lourenço
Aconteceu às 14h30, no Fórum das Letrinhas, um bate-papo com Mário Vale. Autor de livros infantis, cartunista, desenhista, artista plástico e colunista, Vale trocou o microfone por papel, cola, tesoura e deu uma aula artística para as crianças presentes. Conforme fazia seus recortes, respondia as perguntas feitas pelos alunos, que mostravam enorme interesse pelo escritor. Apesar da pouca idade, a curiosidade era grande. Perguntas que variavam do porquê da cor escolhida para um personagem principal de seu livro até como surgiu o interesse pela literatura, davam o tom de brincadera e descontração da apresentação.O entusiasmo foi maior quando Vale apresentou suas obras, entra elas Picote, seu livro infantil mais famoso.O evento ocorreu no Teatro Municipal Casa da Ópera de Ouro Preto e contou também com a apresentação do Grupo de teatro Companhia Artificial, formada em Maio de 2008 por alunos de Artes Cênicas da Universidade Federal de Ouro Preto. A apresentação consistiu na adaptação do livro “O Palhaço Sem Graça” de Mário Vale e contou com a mesma criatividade e o dinamismo que seus livros trazem. Segundo João Paulo, ator da peça apresentada, representar para crianças é uma grande responsabilidade, já que elas estão sempre atentas ao que acontece dentro e fora de cena. O mais importante para o ator é mexer com o lúdico, brincar com os sonhos das crianças.
Confira entrevista com Mario Vale em http://palavrasemrede.wordpress.com/category/entrevistas/
postado por Luana Viana e Luiza Lourenço
O blog “Palavras em Rede” é produzido por alunos da primeira turma de Jornalismo da UFOP, e se propõe a realizar uma cobertura em tempo real, com notas e resenhas sobre as palestras. Além disso, apresentará um apanhado geral ao fim de cada dia, com informações extras, bastidores, opinião do público, história do evento, fotografias, vídeos e muito mais.
Contamos com a participação de todos, interagindo conosco através dos comentários no blog e participando de discussões em torno das questões que permeiam o evento.
Agradecemos desde já a atenção e convidamos todos à comparecer ao Fórum das Letras 2008 e participar da cobertura da forma que quiserem e puderem.
O nosso e-mail está a disposição para sugestões, dúvidas e idéias: letraaletraufop@gmail.com
Atenciosamente,
Equipe Blog “Palavras em Rede”
Júlia Abrão, Felipe Bianchi, Luiza Lourenço, Luana Viana, Tabata Romero, Enrico Mencarelli e Douglas Gomides (orientados por Fernando Resende)
Postado por: Felipe Bianchi dos Santos e Júlia Abrão
Confira a programação completa no site oficial do evento ( www.forumdasletras.ufop.br ), na parte “Programação”. Além da programação geral, relatada abaixo, você ficará por dentro do que acontecerá no Fórum das Letrinhas, na Via-Sacra Poética, programação especial e exposições relacionadas ao Fórum das Letras 2008. Pelo site, ainda poderá conferir informações sobre todos os autores e escritores que participarão desta 4ª edição do Fórum das Letras. Com essas informações, você pode até ter um melhor entendimento das palestras, traçando relações contextuais do que é dito nas atividades com o histórico e o conteúdo das obras dos palestrantes.
PROGRAMAÇÃO GERAL
QUARTA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO
16h30: “Conversa sobre o universo paralelo: a cena independente no Brasil”
Lobão e Nelson Motta
Segundo o Lobão “o universo paralelo é uma ação multilateral que busca dar novas soluções para o show business, a indústria fonográfica e a música em geral. Por que não dizer, para a arte do mundo inteiro?!!!” Venha debater essas idéias com dois dos maiores expoentes da cena musical e literária no Brasil de hoje.
18h30: “Memória e ressentimento”
Azriel Bibliowicz (Colômbia), Moacyr Scliar, Tatiana Salem Levy. Mediação Moacir Amâncio
A literatura como redenção, do autor e dos seus leitores, através do processo de reinventar o passado. A memória como um exercício de imaginação que conduz, não apenas à superação da experiência, mas também, muitas vezes, à sublimação do vivido, tanto individual quanto coletivamente, na partilha de uma identidade histórica.
QUINTA-FEIRA, 6 DE NOVEMBRO
14h30: “A mulher em Guimarães Rosa e Machado de Assis: Há como desvendar o enigma de Capitu e Diadorim?”
Audemaro Taranto Goulart, Benjamin Abdala Júnior, Márcia de Morais, Marli Fantini. Mediação Elzira Perpétua
O debate tentará traçar um paralelo entre duas das mais importantes personagens femininas da literatura brasileira. O que permite aproximar Capitu e Diadorim é o mistério que se oculta nas névoas dos “olhos de ressaca” e no verde do olhar que reproduz a magia lisérgica do sertão reinventado. Há alguma identidade na dor que se adivinha na fímbria desses olhares? Alguns dos maiores especialistas em Machado de Assis e Guimarães Rosa estarão reunidos no Fórum das Letras para ajudar a revolver esses enigmas.
16h30: “O mistério do encontro entre Letra e Música”
Celso Adolfo, Fernando Brant, Pasquale Cipro Neto. Mediação Jorge Fernando dos Santos
O poema é composto de imagens e música, de tal forma que, muitas vezes, o ritmo é perceptível, mesmo que jamais se transforme em canção. A música é parte intrínseca do poema. Se o ritmo é um dos mais importantes elementos da palavra poética, podemos dizer que a letra já nasce com música? Ou é o contrário: é a música que nasce primeiro e sugere a letra? Quais os segredos para que o encontro entre letra e música seja perfeito?
18h30: “Três olhares sobre o romance noir”
Martin Brock (Alemanha), Peter Robinson (Inglaterra) e William Gordon (Estados Unidos). Mediação Cora Rónai
SEXTA-FEIRA, 7 DE NOVEMBRO
9h30: Literatura em cena especial – Oferecimento BNDES
Apresentação da mesa: João Luiz Martins, reitor da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP; Angelo Oswaldo de Araújo Santos, prefeito de Ouro Preto; e Paulo Brant, secretário de Cultura do Estado de Minas Gerais
1808 – A invenção do Brasil
Laurentino Gomes, Fuad Yazbeck, Francisco Seixas da Costa (embaixador de Portugal no Brasil). Mediação: Otávio Elíseo
A história da relação entre Brasil e Portugal é tema que oferece continuamente novas interpretações, desde as controvérsias sobre a chamada “descoberta” do Brasil. A vinda da Família Real Portuguesa mudou completamente os rumos esperados e deu à nação brasileira a conformação que tem na atualidade. As diferentes abordagens desses autores, literária e ensaística, serão debatidas à luz de perspectivas de ambos os países. Esse encontro promete!
Espetáculo “O poeta de todos nós”
Poemas de Marly Oliveira interpretados por Lauro Moreira – embaixador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – CPLP, com música de Pedro Braga
14h30: “Qual a chave da construção do romance?”
Ana Maria Gonçalves, João Batista Melo, Luiz Ruffato, Maria Esther Maciel. Mediação Almir de Freitas
Em um momento em que os limites entre os gêneros literários se dissolvem, o que podemos dizer que seria o “romance”? Quais as preocupações dos autores ao realizar obras dentro desse gênero? Quais as dificuldades, limites e compensações? Por que o romance ocupa, ainda hoje, um lugar tão privilegiado na preferência do público leitor? Os processos de criação, métodos de trabalho e como surge e é desenvolvido o tema de um romance serão as questões debatidas por alguns dos mais interessantes romancistas do Brasil na atualidade.
16h30: “Lendo livros que não existem mais”
Jacyntho Lins Brandão, Roger Chartier (França). Mediação Maria Clara Versiani Galery
Temos notícias, por diversos textos e documentos antigos, de importantes obras que um dia desapareceram. Esse foi o tema, por exemplo, do aclamado livro O nome da Rosa, de Umberto Eco, uma interessante ficção sobre as razões do desaparecimento do livro sobre a Comédia, realizado por Aristóteles, na Antiguidade. O Fórum das Letras traz dois grandes especialistas em história do livro e da leitura, para lembrar títulos que não existem mais, mas deixaram traços essenciais na história da humanidade, bem como livros que foram inventados por importantes autores, como Jorge Luís Borges, Bolaño, Shakespeare e Luciano de Samósata, entre outros.
18h30: “Poesia do encontro”
Rubem Alves e Elisa Lucinda
A palavra encontra o papel, o autor encontra a imagem que vai traduzir sua idéia, o leitor se encontra com uma sensação que já conhecia, mas que nunca havia formulado claramente antes. Poesia é a arte do encontro. E do encontro de Elisa Lucinda e Rubem Alves só se pode esperar beleza, encantamento. Somos partícipes da fulminante intimidade que nasceu entre esses autores, segundo as palavras de Gilberto Dimenstein, no prefácio do livro que Elisa Lucinda e Rubem Alves fizeram, o qual emprestou seu título a esta mesa.
SÁBADO, 8 DE NOVEMBRO
14h30: “A boa crônica tem receita?”
Alberto Villas, Antonio Carlos Gaio, Luís Giffoni, Manuel Costa Pinto. Mediação Marcia Tiburi
A crônica é, talvez, o gênero literário que encontrou, no Brasil, uma expressão mais própria. Flashes do quotidiano, comentários sobre o mundo e a política, reflexões pessoais, tudo parece matéria passível de ser aproveitada pelo cronista. Porém, o que faz o encanto da crônica para o público leitor? Por que algumas crônicas se tornaram documentos antológicos sobre a realidade brasileira?
16h30: “Quais as estratégias de captura da atenção do leitor no romance noir?”
Francisco José Viegas (Portugal), Lourenço Mutarelli, Marçal Aquino. Mediação Alécio Cunha
A literatura noir é um dos gêneros literários que mais exige que o escritor domine a relação com o leitor. A atmosfera densa e sombria, os personagens ambíguos e a narração subjetivada constroem uma atmosfera em que a tática consiste em revelar aos poucos, em ampliar a tensão ao ponto de tornar o leitor partícipe da trama. Haveria uma fórmula para construir com eficácia esse jogo de sombras e luzes?
18h30: “Onde pulsa o segredo do conto?”
Eric Nepomuceno, Jerônimo Teixeira, João Carrascoza. Mediação Guiomar de Grammont
García Márquez disse, certa vez, que fazer um romance é como assentar ladrilhos em uma parede, enquanto produzir um conto seria como erigir uma parede de concreto. O que torna o conto mais contundente? Os processos de criação de um escritor, seus rituais de escritura influem mais no conto do que em outros gêneros literários? É diferente a forma como surge e é desenvolvida a idéia em um texto curto? Haveria como definir o “bom” conto?
DOMINGO, 9 DE NOVEMBRO
14h30: “Os mistérios não gostam de ser nomeados”
João Gilberto Noll. Mediação Luís Alberto Brandão
O título da mesa faz referência ao livro delirante de João Gilberto Noll, intitulado Acenos e Afagos, em que o protagonista consome-se em uma errância na escuridão noturna do sub-mundo em busca de qualquer gesto capaz de substituir um objeto de desejo sufocado na memória. Passa a viver, então, o que o narrador chama o “teatro latente”: o mundo do dia é aquele em que vive uma máscara de si mesmo. Ser noturno, ele se consome nessa “fome impossível”, como um vampiro. Inclusive, como esses seres, experimentará uma espécie de ressurreição do túmulo. A claustrofóbica trajetória do narrador protagonista – expressa na linguagem imagética e elíptica do autor – é um mergulho no mistério do amor sem redenção possível.
16h30: “Qual a medida entre a palavra e o silêncio na poesia?”
Chacal, Jorge Melícias (Portugal), Luís Serguilha (Portugal), Nelson Saúte (Moçambique), Nicolas Behr. Mediação Sérgio Fantini
O que é o silêncio na poesia? A palavra é feita de silêncio? A busca de uma poesia mais profunda, visceral, mais próxima do corpo é uma tendência que, no limite, levaria ao absoluto silêncio? Poesia é um dos gêneros que mais se presta à experimentação e o poeta é um transgressor – de idéias, linguagens e conceitos. Talvez, por esse motivo, o gênero seja considerado, muitas vezes, como de ‘difícil acesso’, pois exige de seu leitor um pouco mais de tempo, reflexão e intimidade com as palavras, entre outras questões importantes para o estabelecimento do diálogo entre autor e leitor. Qual o sentido e o lugar da poesia hoje, diante de tantos novos suportes?
* Programação gratuita.
Todos os debates vão acontecer no Centro de Artes e Convenções da UFOP.
Endereço: Rua Diogo de Vasconcelos, 328 – Pilar – Ouro Preto-MG
Postado por: Felipe Bianchi dos Santos