TV Ufop: Boletins em vídeo

Confira abaixo os vídeos produzidos pela TV Ufop, através do CPPA (Centro de Produção e Pesquisa Audiovisual).

BOLETIM 1

BOLETIM 2

BOLETIM 3

BOLETIM 4

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 10 novembro, 2008 at 5:52 pm  Deixe um comentário  

Desvios funcionais

Parafraseando Rubem Alves, que demonstrou sua paixão pelas palavras no Fórum das Letras, o professor tem como dever burlar a burocracia, por ser com os alunos o seu compromisso essencial e funcional, não com os burocratas.

No mesmo dia que o escritor expressou sua opinião, presenciei uma situação que me fez pensar sobre movimentos artísticos e suas relações com a burocracia.

Ao final de um cortejo que exaltava diferentes batuques brasileiros, encontrava-se um palco onde a arte iria – ou deveria- se manifestar. A poesia se manifestou com eloqüência e combinações contemporâneas, porém a música foi barrada pela burocracia.

Frente ao prédio desenhado por Oscar Niemeyer, comunista confesso e conhecido por seu caráter artístico inovador, a arte foi vencida pela burocracia. Com a ajuda de leis e do órgão de segurança pública, os hóspedes do hotel, desenhado por Niemeyer, conseguiram calar a arte e dormir no mesmo silêncio em que dormem todos os dias de sua vida corriqueira.

Assim como o professor, a meu ver, o artista tem o dever de burlar a burocracia, por ter compromisso com a sociedade, não com os burocratas.

Passamos por um período decadente da educação no Brasil. Os professores foram transformados em funções mecânicas que seguem horários e mandamentos inúteis para a boa educação, assim como um operário que bate cartão e aperta o mesmo botão o dia todo. A instituição educacional no Brasil (talvez no mundo) se transformou em uma rede que se assemelha a uma empresa sem compromissos com a sociedade (os alunos, no caso).

A arte, quando submetida à burocracia, caminha para a mesma inversão de valores. No contexto atual, só consigo esperar uma reação dos artistas para libertar a arte de mandamentos absolutos e mesquinhos, pois, infelizmente, nós, apreciadores, só lutamos da boca pra fora.

Raísa Geribello

Published in: on 10 novembro, 2008 at 3:28 pm  Comments (2)  

Desvendandos mistérios?

Domingo, 9 de novembro de 2008

Luis Alberto Brandão e João Gilberto Noll

Luis Alberto Brandão e João Gilberto Noll

“Os mistérios não gostam de ser nomeados”

O autor João Gilberto Noll, vencedor do Prêmio Jabuti por cinco vezes, envolto em um clima de suspense, leu trecho de seu livro “Acenos e Afagos” logo no início de sua palestra que começou às 15h do dia de hoje. O romance escrito em primeira pessoa conta a história de um homem que abandona sua vida monótona em busca de prazer e auto-reconhecimento. O que sustenta a narração não é a história que o personagem principal vive, mas a dilaceração física e emocional que nela se inserem.
O livro de mais de 200 páginas é escrito em um único parágrafo, como se fosse a libertação de um grito, a ânsia de dizer, de uma vez só, sobre ele, sobre o outro, sobre a vida e a morte.
O mediador da conversa, Luís Alberto Brandão, autor de Chuva de Letras, Saber de pedra – o livro das estátuas e Tablados – livro de livros, mostrou-se um grande conhecedor da obra de Noll durante a conversa. Abordou aspectos interessantes e conduziu a palestra de maneira inteligente.
Percebemos que os mistérios realmente não gostam de ser nomeados e quando são, deixam de ser mistérios. Então, nos deixamos envolver por este, entre tantos outros presentes no Fórum das Letras e, enfim, entendemos que mistérios não existem para serem desvendados.

Texto por Júlia Abrão

Foto por Tábata Romero

Published in: on 10 novembro, 2008 at 11:46 am  Comments (1)  

Silêncio, a poesia quer falar!

Domingo, 9 de Novembro.

 

Os cinco palestrantes ocuparam seus lugares. Um silêncio. Seria um problema no som?Após um minuto, o mediador Sérgio Fantini anuncia: o minuto de silêncio foi uma homenagem à poesia.

Quebrado o silêncio, a poesia tomou o lugar. Os portugueses Jorge Melícias e Luís Seguilha, o africano Nelson Saúte e os brasileiros Nicolas Behr e Chacal declamaram seus poemas e introduziram um interessante ponto de vista sobre a poesia.

“A poesia é o silêncio da palavra.”, iniciou Chacal. “Uma poesia não busca ser outro tipo de coisa que não seja ser uma poesia. A poesia é aquilo que é”. Behr complementou: “ O silêncio é o ruído da poesia.” Contudo, para Saúte, o silêncio é o contrário da poesia. “ A poesia é o barulho do mundo.”, contrapôs o poeta. Opinião não compartilhada por Melícias, “Na minha poesia, o silêncio funciona como um horizonte da vida do poeta.” Para Luís Sevilha, o poema traduz as “correntes silenciosas” da Terra.  Chegando a uma conclusão, o silêncio pode representar tudo ou nada. Pode dar a musicalidade, o efeito, ser o tema. È permitido, assim como tudo na poesia, ser interpretado de diversas formas.

Saúte pegou o microfone e relatou que a poesia representa para ele a musicalidade, a dança, a metalinguagem. Ele revelou ter um receio por poetas apocalípticos, que se preocupam apenas com seu caos e esquecem de viver a vida. “Mas não tenho nada contra!”, acrescentou ao observar a reação de Melícias. “Um leitor merece mais que uma coisa direta. Essa coisa de poeta sibilino (compreensão mais subjetiva) versus poeta simples não pode ser tão taxativa. A linguagem deve causar diversos sentidos, alcançados por vias simples ou com um pouco mais de aprofundamento.” Seguilha opinou: “um poeta não fala em nome de ninguém e não pertence a nada. O silêncio é indefinível, assim como poema.” A verdade é que o poeta, assim como nós, são feitos por oposição e têm várias pessoas dentro dele.

Behr interpôs,falando que a sua poesia era de linguagem fácil. Ele optou por isso. “ A flor de Pequim é muitas vezes usadas em poemas como esse.”, prova disso é esse poema por ele citado. Percebe? Sente? Então é bom.

E assim chegou ao fim o Fórum das Letras, que contou com a participação de cerca de 80 autores e jornalistas convidados, mais de 15000 participantes e 3500 crianças. Guiomar, a Coordenadora Geral, fez o encerramento e agradeceu a toda equipe que trabalhou no Fórum. E avisou: “o Fórum não precisa mais de mim, e isso é bom. 2009 tem mais. Vida longa ao Fórum das Letras.”

postado por Luiza Lourenço

Colaborou Douglas Gomides

 

Published in: on 10 novembro, 2008 at 1:29 am  Deixe um comentário  

Palavras pingadas

A contraposição da luz à escuridão. O fogo. A primeira palavra esclarece o futuro, para sempre. A fala é o vento, a palavra é a rocha, a escrita é a chuva. A incisão na rocha é mais profunda e assim mais duradoura pelas gotas. Elas, quando ferem, respigam em novos pontos, novas vertentes, novos rumos. Aprofundar, fundo, dentro, introspecção. O que é escrito, talvez, seja justamente o registro eterno de sentimentos pensados, não frases soltas, cuspidas ao vento.

Estudar a palavra e escrevê-la é o triunfo do homem sobre a memória. Desde o agora, para já, ao agora, para sempre. O jornal e o livro.

Jornalistas e escritores são literários-primos, tanto que existem momentos que não se sabe onde um começa e o outro termina. E quando se misturam, ah… o espectador é tocado pelo mundo em palavras, e vê palavras tocando o mundo.

Mas nem só de canetas vive o universo literário. Ainda existem os que contam o mundo através de imagens, estas paradas ou em movimento. É o registro definitivo, em sua forma mais crua, para inglês ver (lembrando que a visão é um sentido animal básico e comum a todos).

Esse registro nada mais é que identificar e formatar símbolos, como figuras rupestres, que reconhecerão cada era de tempo como única e duradoura. E o ponto final marca sempre o próximo início, ciclicamente.

Texto por Enrico Mencarelli.

Published in: on 9 novembro, 2008 at 9:18 pm  Deixe um comentário  

Seminario CULT de jornalismo

JotaBê Medeiros, João Paulo Cunha, Luiz Carlos Merten e Jerônimo Teixeira

JotaBê Medeiros, João Paulo Cunha, Luiz Carlos Merten e Jerônimo Teixeira

Quem se inscreveu e compareceu ao Seminário Cult de Jornalismo Cultural teve uma grande aula de Jornalismo sob a perspectiva profissional. O enfoque foi na área cultural desta profissão.

O evento aconteceu na Sala São João Del Rei, no Centro de Convenções e contou com a presença de nomes de peso: Luiz Carlos Merten, crítico de cinema n’O Estado de S. Paulo; Jerônimo Teixeira, crítico literário na Veja e Zero Hora; JotaBe Medeiros, crítico musical n’O Estado de S. Paulo e João Paulo Cunha, editor d’O Estado de Minas.

O programa foi dividido em critérios para elaborar uma pauta de cultura, crítica literária, crítica musical e crítica de cinema. Todos os debates vinham recheados de relatos pessoais dos palestrantes, no sentido de passar um pouco da experiência como jornalistas, além de tentar mostrar vieses e peculiaridades da área à quem pretende trabalhar nela, sendo importante destacar a grande presença de jovens no público presente.

João Paulo Cunha falou sobre como montar uma pauta cultural. Colocou que, a princípio, jornalismo e cultura podem parecer paradoxais, à medida que o jornalismo praticado pelos grandes veículos tem como marca o imediatismo da notícia e a objetividade (apontada por muitos como um mito). Entretanto, dá vantagem ao jornalista que trabalha com a área cultural por esse ter mais tempo para planejar e estudar o que, analiticamente, será publicado.

Cunha expôs diversos obstáculos ao jornalista, como a questão da pressão exercida pelas exigências do mercado e da dificuldade (a ser superada) que é equilibrar o que é considerado erudito e o que é popular, de modo a atingir o público tão diverso dos grandes jornais.

Jerônimo Teixeira, que faz crítica literária na Revista Veja e no jornal Zero Hora, falou mais especificamente de sua área. A importância de “fisgar” o leitor que está entretido com as matérias diversas de uma revista, por exemplo, e a necessidade se fazer um trabalho que provoque o leitor e, mesmo que o desagrade, ser uma referência. Finalizou falando que considera fundamental o profissional ter um certo ceticismo e lidar com o mercado de maneira a identificar tendências. Ainda se gabou de ter o privilégio de, como crítico literário, ter acesso à diferentes obras e poder conhecer os mais diversos assuntos.

Jotabê, crítico musical n’O Estado de S. Paulo, se apresentou como crítico de rock e tratou de contextualizar o surgimento dessa vertente jornalística traçando paralelos com a própria história da música rock/pop no Brasil.

Abordou aspectos como a superação da informalidade típica do “fanzineiro” de rock e a adequação à crítica jornalística, o conhecimento amplo que deve-se ter da arte em geral, a necessidade de fazer correlações rápidas e a compreensão de que música não é só acordes.

Ainda falou na mudança radical ocasionada pelo ruir repentino do império fonográfico, que viu seu espaço tomado pelo MP3. Dos discos conceituais cada vez mais raros às alterações provocadas na própria maneira de fazer crítica à música, Jotabê carismaticamente fez os fãs de rock e de música em geral mais felizes nesse domingo, mesmo deixando claro que o jornalista dessa área não vive só de curtir bons shows.

Por último, falou o mais experiente da turma: Luiz Carlos Merten. Compartilhou sua vasta experiência na área com o público, contando diversos acontecimentos ao longo de sua carreira. Crítico de cinema no jornal O Estado de S. Paulo, fez questão de mencionar as diferenças temporais e estruturais dos jornais, dos estudos e acesso ao mundo da Sétima Arte. Dentre as várias perspectivas tratadas pelo jornalista, pode-se destacar a questão do insight de ver, por exemplo, política em filme western, e do contexto artístico e cultural para eleger “Ratatouille”o melhor filme de 2007.

Ainda ocorreu um debate que durou cerca de 40 minutos, que tratou de questões acadêmicas e tecnológicas até leis de incentivo à área.

Indubitavelmente um evento de grande interesse aos aspirantes à jornalismo e, principalmente, aos que almejam ingressar na área cultural.

Parabéns ao Fórum das Letras e à Revista Cult pela produção.

Texto por Felipe Bianchi.

Foto por Tábata Romero.

Published in: on 9 novembro, 2008 at 8:59 pm  Comments (3)  

Café, livros e cultura: Salão Sabará

   A acessibilidade a livros e revistas de qualidade, proporcionada pelo Fórum das Letras, deixa explícita a vontade de se expandir a cultura para o público participante do Fórum.

Além das palestras ministradas por conhecedores da literatura, há estandes de livros dos palestrantes e de outros autores renomados e também a distribuição da revista Cult.

 Num ambiente informal e descontraído, onde é possível tomar um café, assistir a palestra por um telão e ler livros, o público se sente acolhido e absorve mais facilmente tudo o que o Fórum propõe. Enfim, a cultura aflora nas mentes e o grande objetivo do Fórum é atingido.

Texto por Lorena Caminhas e Rodolfo Ribeiro

Foto por Júlia Abrão

Salão Sabará, Centro de Convenções

Salão Sabará, Centro de Convenções

Published in: on 9 novembro, 2008 at 5:47 pm  Comments (1)  

A vida e a morte na palma da mão

Em “onde pulsa o segredo do conto”, João Corracoza, escritor, profesor e redator de propaganda, define o conto como um arbusto, onde a memória coletiva e pessoal, caracterizadas pela vivência de cada autor, emcaminha as surpresa e impactos que podem ser observadas pelos leitores. Tais objetos são como ramos ou pequenos animais, que aparecem no arbusto apenas para o espectador atento. O escritor de contos Eric Nepomuceno, defende a memória como matéria-prima de qualquer obra literária, e propõe a imaginação como ferramenta de criação. Afirma que literatura é partir de um dado real, com adições de elementos fictícios, destinados a impactar o leitor, causando emoções diferentes em cada um, a partir da experiência de mundo que tenham apreendido. Já Jerônimo Teixeira, Jornalista e mestre em comunicação, acredita que pode-se escrever sobre o que não foi vivido, basta apenas ter vivênciado. Argumenta que as pessoas ao redor, desde familiares até estranhos das ruas, inserem experiências e divergências ao logo de nossas vidas.

A conversa ainda remete a influência que a figura paterna possui na obra de cada autor, partindo da perpectiva do simples incentivo diário de um pai, e seguindo até o maior elo entro ambos, a convivência.

O último tópico abordado é a incomunicabilidade comum aos textos de Corracoza, Nepomuceno e Teixeira, principamente sob a forma de silêncios e ocultamentos. Destacam que muitas vezes um autor é interpretado de modo diferente de sua intencionalidade, e outras vezes o desfecho de uma obra simplesmente não é passível de interpretação, uma vez que o autor intenciona o impacto pelo vazio.

O que ficou claro ao longo do debate, foi o fato do escritor não ter controle sobre sua obra após a mesma ser publicada. Ou seja, a interpretação funciona como conseguinte de cada individuo. Um final singular, pode muito bem remeter a uma pluralidade de significados.

Texto por: Enrico Mencarelli.

Published in: on 8 novembro, 2008 at 9:57 pm  Comments (1)  

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade

fonte: http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm3.html

postado por Luiza Lourenço

Published in: on 8 novembro, 2008 at 9:33 pm  Deixe um comentário  

Mistério noir

Na tarde de sábado, ocorreu uma conversa entre os escritores Francisco José Viegas, Lourenço Mutarelli e Marçal Aquino, na qual o assunto discutido foi “Quais as estratégias de captura da atenção do leitor no romance noir?”. O romance noir é um outro nome dado ao romance policial,o qual foi muito descriminado pela elite cultural desde a sua criação.

A primeira pergunta aprensentada pelo mediador Alécio Cunha, também escritor, foi a respeito da estratégia que os autores utilizam para seduzirem seus leitores. Aquino disse que, em suas obras, ele simplesmente escreve aquilo que gostaria de ler, “Eu tento me alegrar como leitor”. Já Mutarelli expôs sua preocupação com a cadência na sua escrita. Viegas, por sua vez, disse que usa sim alguns truques, “Já que tenho insônia, quero provocar a insônia do meu leitor”.

O assunto colocado em pauta logo em seguida foi a diferença da literatura convencional e a literatura policial. Nesse quesito, os três tiveram opiniões divergentes. Viegas logo se caracterizou como um escritor do ramo “policial”, já Lourenço não acha que se enquadra em nenhum dos dois estilos. “Eu não ligo para rótulos”, disse Aquino mostrando concordar com a opinião do colega.

Na seqüência, os autores explicaram a dificuldade encontrada em transformar o assassinato em uma obra de arte. Segundo eles, nos dias de hoje, a ficção é a cada dia superado pela barbárie da vida real.

Quando abordaram a relação entre o cinema e o romance noir, viu-se uma tremenda aproximação entre essas duas vertentes. As palavras ditas por Lourenço Mutarelli, resumiram esse pensamento, “O livro é sempre um filme na cabeça de quem está escrevendo”, inclusive ele foi ator em um dos seus textos que viraram filmes.Aquino também tem uma ligação intrínseca com o Cinema, sendo roteirista de alguns filmes, dentre eles “O Invasor”, dirigido pelo paulista Beto Brant.

Outro tema discutido entre os palestrantes foi o mistério, principal elemento do Fórum das Letras 2008. Nenhum dos escritores soube ao certo definir a palavra, porém tentaram. “O mistério é aquela relação que todos nós temos com o desconhecido”, citou Viegas.

Após isso, foram abertas as perguntas para o público, que questionava diretamente sobre as obras de cada autor.Diversas indagações foram feitas e respondidas com uma imensa desenvoltura. Para finalizar, cada um dos autores leu um pedaço de algum livro de sua autoria e foram aplaudidos incessantemente pela platéia.

Texto por Douglas Gomides

Published in: on 8 novembro, 2008 at 8:52 pm  Deixe um comentário  

No meio do Fórum tinham as letrinhas…

pic_01381“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. ” Carlos Drummond de Andrade

Um problema, um obstáculo. Uma pedra no caminho? Para Carlos Drummond de Andrade, um desafio que virou poema.

Há 80 anos, a criação de Drummond transformou o significado de uma simples pedra. Hoje, para o Fórum das Letrinhas, ela virou arte.

Eram 14h30 quando as crianças se sentaram na Praça Tiradentes para comemorar o aniversário do poema de Drummond. Com papel, tinta e pedrinhas nas mãos, a criatividade que aparecia na garotada rolava solta. Um inocente e interessante ponto de vista do poema surgia a cada pincelada.

Com o fim da atividade se viu também o fim do Fórum das Letrinhas. Um Fórum que fez muito mais que apresentar o mundo das letras às crianças. Colocou-as como personagens principais do desvendar das letras. Afinal, grandes obras literárias são também coisas de gente pequena.

Confira em https://palavrasemrede.wordpress.com/category/variedades/

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luana Viana.

Published in: on 8 novembro, 2008 at 8:33 pm  Comments (2)  

“Cozinhando” sobre crônica

Marcia Tiburi, Manoel da Costa Pinto, Alberto Villas, Antônio Carlos Gaio e Luis Giffoni

Marcia Tiburi, Manoel da Costa Pinto, Alberto Villas, Antônio Carlos Gaio e Luis Giffoni

Sábado, 8 de novembro de 2008

      A boa crônica tem receita?

       A conversa inicia, às 14h30min, tentando responder essa pergunta, suscitada pela mediadora Marcia Tiburi. As respostas são muito diversas. Luís Giffoni começa dizendo que crônica pode ser tudo. “É o primeiro contato que o leitor tem com o jornal pela manhã. Não existe receita fixa, cada um faz a sua.”- disse ele.
        Já Antônio Carlos Gaio compara a crônica aos curtas-metragens, pois os dois são rápidos e dissecam o assunto de forma sucinta para atingir o leitor. Ele aborda também a questão da ligação entre quem lê e quem escreve, dizendo que o leitor precisa conversar com o cronista enquanto aprecia sua obra.
     Segundo Alberto Villas, o autor de crônicas possui um espaço sem pauta para escrever e traz ao leitor um momento de lazer entre tantas notícias negativas contidas em jornais e revistas. Para ele, nunca se escreveu tanta crônica como hoje, o que o leva a crer que este é um gênero em expansão.
     Manuel da Costa Pinto, o único da mesa a não escrever crônicas, disse que estas compõem um gênero autenticamente brasileiro, pautado no deboche e na auto-ironia. Ele acredita que as crônicas são uma contribuição do Brasil para os gêneros literários.
     Marcia Tiburi disse que precisamos duvidar sempre dessa pergunta e definiu o cronista como um sujeito altamente atento, que tem como foco o cotidiano e que trabalha o seu próprio olhar.  O autor, para ela, funde particular e universal, sempre se colocando como alguém fora da realidade.
      Depois, Tiburi pede para que os convidados sejam um pouco “profetas” perguntando se eles acreditam que um dia a crônica vai acabar. Para Villas, as pessoas estão cada vez mais  observadoras e ávidas por contar boas histórias, o que faz com que a crônica não acabe nunca. Ginoffi concorda. Ele diz que a crônica nunca vai deixar de contas fatos, que ela se encontra na filosofia atrás das pessoas.
      Gaio lembra que já decretaram o fim de várias coisas que nunca acabaram, como o vinil e o cinema. Ele sintetiza dizendo que enquanto houver a necessidade de dialogar a crônica existirá.
     E afinal, há ou não uma receita?
   Talvez não. Porém, uma dose de sedução, uma pitada de ironia, uma porção de informação e um toque de humor, escritos em caráter testemunhal, com certeza são os melhores ingredientes para a construção desse gênero tão popular no Brasil.

Texto pot Júlia Abrão

Foto por Luiza Lourenço

Published in: on 8 novembro, 2008 at 7:56 pm  Comments (2)  

Leituras filosóficas, poéticas e musicais na Igreja São Francisco de Assis

Um céu nublado, um dia quente e a Igreja São Francisco de Assis lotada. Foi esse o cenário da programação do Fórum das Letras nessa manhã de sábado.

Leitura da Igreja São Francisco de Assis
Guiomar de Grammont e Maurício Monteiro fizeram uma leitura da Igreja São Francisco de Assis, considerada uma das maiores obras do Barroco Mineiro.
Grammont nos ofereceu uma abordagem completa do contexto cultural em que a Igreja foi idealizada e construída. Detalhou e relacionou os contextos sociais, culturais e econômicos da época colonial, proporcionando uma compreensão de signos além da apreciação puramente visual da arte ali representada.
Já Monteiro apontou inúmeros signos implícitos nas pinturas de Manuel da Costa Ataíde e na arquitetura de Aleijadinho. Palavras, símbolos e objetos que, à primeira vista, passam despretensiosos pela nossa vista, foram analisados de maneira desmistificadora.

Música na Igreja São Francisco de Assis

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresentou à frente dos altares da Igreja, num espetáculo maravilhoso revestido com a magia da música e da história.
Fabio Mechetti, diretor musical e regente, anunciou o programa musical como um traço entre o Barroco Mineiro e o Classicismo Europeu. Compuseram o programa obras de Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.
A Orquestra, composta por mais de 65 músicos, se apresentou com um número menor de músicos devido o espaço reduzido da Igreja, porém esses, sem dúvida, realizaram um espetáculo que encantou os presentes.

A Orquestra na Igreja. Foto por Felipe Bianchi.

A Orquestra na Igreja. Foto por Felipe Bianchi.

Performance poética no adro da Igreja São Francisco de Assis
Ao fim da apresentação musical, ouvia-se vozes a declamar entusiasmadamente poesias. Tratava-se do grupo Antiatro Experimentos Cênicos. Palavras que se encontravam no ar, papéis arremessados aos ventos e um acompanhamento musical com um pé no jazz e outro em música tribal foram os componentes da atuação impecável do grupo de seis ou sete artistas vestidos de preto e vermelho e com os olhos semi-vendados.
O verso mais marcante foi declamado em uníssono: “Vila Rica de outro Preto”, seguido de menções à exploração do ouro na região.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 8 novembro, 2008 at 7:49 pm  Deixe um comentário  

Luiz Ruffato: perspicácia e irreverência num bate-papo prazeroso

Luiz Ruffato é escritor e formado em Jornalismo. Escreveu, entre outras obras, “Eles eram muitos cavalos” e o projeto ainda inacabado “Inferno Provisório”. Conversou conosco na tarde de sexta-feira momentos antes de compor a mesa que discutiria “a chave da construção do Romance”. Na sala dos autores, no Centro de Convenções, Luiz Ruffato estava acompanhado de José Matos e Almir de Freitas, os quais participaram descompromissadamente da entrevista.
Além de traçar paralelos entre jornalismo e literatura, Luiz Ruffato falou sobre diversos assuntos em um ambiente mais que descontraído. Pautamos nossa entrevista em algo dito pelo escritor noutra oportunidade: “Quem escreve uma história se preocupa com o ‘como’, enquanto quem conta uma história se preocupa com o ‘que’”.

À primeira pergunta feita por nós, Luiz Ruffato tratou das relações entre jornalismo e literatura. Segundo Ruffato, os dois são imiscíveis – dentro do contexto mercadológico em que estão inseridos. Ainda nesse contexto, critica o “mito da objetividade” que a imprensa prega. O cruzamento do jornalismo com a literatura seria, para ele, algo como engenharia e jornalismo, ou medicina e literatura. Para ilustrar esse ponto de vista, Ruffato cita a diferença entre forma e conteúdo dos dois. “No jornalismo, a angústia entre forma e conteúdo é menor, pois se utiliza de uma linguagem menos rebuscada para atingir grandes audiências. Já na literatura, a composição forma e conteúdo exige a busca do equilíbrio”. No entanto, aproxima as duas áreas quando fala da disciplina que o jornalismo lhe deu na hora de escrever. Com ele não existe a história de “Ah, hoje estou sem inspiração para escrever”. Escreve todos os dias, das 8 da manhã até por volta de meio-dia, inspirado ou não. “A redação de um jornal é um caos: televisões ligadas, telefones tocando, barulho, correria… mas você tinha que trabalhar. Tinha que entregar matéria”.
Quanto ao trabalho do escritor, Luiz Ruffato prega que é preciso ter humildade para reconhecer que quem escreve é um mero intermediário entre a história e o receptor.
Nessa hora, Ruffato faz uma pausa para tomar um café. Muito divertido, nos faz sentirmos íntimos e confortáveis. Várias vezes interrompe a prosa para cumprimentar os companheiros que chegavam à sala. Falavam de futebol.
De volta à entrevista, o escritor fala algo que repetiria durante a palestra: a dificuldade em se tratar de gêneros no Século XXI. Citando o caso dos gêneros sexuais, que se permeiam cada vez mais de heterogeneidades, deixa em segundo plano a questão do gênero literário. Isso recai sobre a questão da construção do Romance que, segundo Ruffato, não tem receita, nem regras, nem arquitetura exata. Fala de dedicação no ato da escrita, condicionando o bom resultado no equilíbrio entre forma e conteúdo.

Luiz Ruffato com o Boletim Letra a Letras nas mãos. Foto por Felipe Bianchi.

Luiz Ruffato com o Boletim Letra a Letra nas mãos. Foto por Felipe Bianchi.

Entrevista por Felipe Bianchi, Simião Castro e Matheus Felipe Silva

Texto por Felipe Bianchi

Published in: on 8 novembro, 2008 at 3:02 pm  Comments (1)  

Conversa com Daniel Bensaïd na Casa de Ópera

Sábado, 8 de novembro de 2008.
9h30

Nathalie, Daniel Bensaïd e Imaculada Kangussu

Nathalie, Daniel Bensaïd e Imaculada Kangussu

Inaugurando os eventos desse sábado, a Casa da Ópera recebeu o convidado Daniel Bensaïd, francês, filósofo, dirigente da Liga Comunista Revolucionária e professor de filosofia da Universidade de Paris VIII. A mesa literária contou, ainda, com a presença de Imaculada Kangussu, como mediadora, e Nathalie, como tradutora do convidado.

Esse encontro faz parte de um ciclo de palestras de lançamento do livro Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente. No livro, Bensaïd coloca uma sucessão de teoremas sobre grandes questões que deveriam ser lidas com uma visão crítica à prova do presente. “A visão do futuro é apocalíptica e a visão do tempo se esbarra no presente”, diz. Os títulos dos teoremas são: “A política é irredutível à ética e à estética”, “A luta de classes é irredutível às identidades comunitárias”, “A dominação imperial não é solúvel nas beatitudes da globalização mercantil”, “Quaisquer que sejam as palavras para expressá-lo, o comunismo é irredutível às suas falsificações burocráticas” e “A dialética da razão é irredutível ao espelho quebrado da pós-modernidade”. Todos esses teoremas pretendem se opor ao culto pós-moderno da fragmentação, visto por ele que a totalidade é irredutível. Essa negação da totalidade remete a um medo cego de todo o projeto de transformação social.

Durante sua apresentação, Bensaïd relacionou diversos assuntos com seu livro, como o comunismo em contraposição ao capitalismo, a violência vista como fruto do capitalismo moderno, a privatização e um suposto desaparecimento da política. O palestrante informa também que o momento oblíquo pelo qual a sociedade passa hoje em dia acaba por questionar os motivos pelos quais a política particular de cada Estado foi embasada.

A influência do capitalismo e de suas conseqüências no mundo pós-moderno se mantiveram como importantes referências ao longo da discussão.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 8 novembro, 2008 at 2:59 pm  Deixe um comentário  

A poesia é irmã gêmea da magia

Sexta-feira, 7 de novembro de 2008.

19h00

Rubem Alves e Elisa Lucinda
Rubem Alves e Elisa Lucinda

Emocionante. Essa é a palavra que mais define o encontro dessa noite.

Rubem Alves, poeta, escritor e professor de filosofia da Unicamp, e Elisa Lucinda, jornalista, poetisa e amante das artes, se apresentaram num delicioso encontro. Eu, francamente, não saberia redigir esse texto de outra maneira que não fosse carregado de toda a emoção que senti ao longo dessa conversa.

O título da mesa literária carrega o nome do livro de poesia recém-lançado pelos dois convidados: “Poesia do encontro”. Elisa Lucinda, com toda sua efusão e seus mais ou menos 20 livros na mesinha de vidro ao lado, soube levar essa conversa carregada de toda a emoção que se possa imaginar. A autora diz que ao declamar uma poesia, sente uma oscilação em seus batimentos cardíacos, uma sede, uma vontade de incorporar, de viver a poesia. Como diz Rubem Alves, encontra seu “estado de possessão”.

A poesia por Lucinda é calma e veloz, é frágil e feroz. Tem um balanço, uma entonação, um volume que vai do mais alto e gritante até o mais mansinho que já se viu. Lucinda domou o público, num resultado dotado de muitas risadas, muita emoção e – por que não? – lágrimas.

Rubem Alves citou alguns trechos de poemas com tanta sensibilidade e virtude que jamais presenciei antes. O poeta diz que a emoção que ele monta suas poesias rebate no olhar do público, e este não sabe se ri ou se chora. “A poesia nos ensina a ver”, diz.

A todo o instante, a pele se arrepiava, o coração batia diferente e as lágrimas escorriam sem que se percebesse. Era a poesia domando o ser, invadindo sua alma e se alojando lá, quietinha, quietinha… mas muda, jamais.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 8 novembro, 2008 at 3:10 am  Comments (1)  

Bebendo em verso e prosa

Sexta-feira, 7 de Novembro

Cor de fubá
Cor de fubá

O que esperar de uma noite de sexta? Bebida? E se ela vier dentro de poesia?

Foi esse o alvo do Grande Cortejo, que começou às 21h e partiu do Chafariz do Cinema ao Chafariz do Rosário. O garçom da noite foi Geuder Martins, que servia as poesias ao som do grupo Cor de Fubá, uma perfeita e harmoniosa junção de estudantes da UFOP de Filosofia, Música e Artes Cênicas.

E como o cliente sempre tem razão, o público pôde interagir e colocar um pouco de sua poesia na bandeja.

“É a hora da embriaguez ! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar ! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.”
Esse é um poema de Charles Beaudelaire declamado por Geuder Martins.

postado porLuiza Lourenço, com a colaboração de Luana Viana.

foto por Luiza Lourenço

Published in: on 7 novembro, 2008 at 10:26 pm  Comments (2)  

O desgaste do original através do tempo

Sexta-feira, 7 de novembro de 2008.

16h30

Enrico Mencarelli

Foto:Enrico Mencarelli

O tempo e a originalidade entram em atrito na discussão sobre “os livros que não existem mais”, por Jacyntho Lins Brandão e Roger Chartier, com mediação de Maria Clara Versiani Galery.

Jacyntho Lins Brandão é escritor e professor de grego na UFMG, e em sua conversa afirma a importância dos documentos e fragmentos históricos na formação da memória humana. A perda de tais objetos possui significativa ruptura em determinado espaço de tempo. O escritor ainda aborda a diminuição da originalidade de uma obra diante do tempo, versões e traduções, uma vez que o contexto de uma época muda a medida que a linguagem evolui, ocasionando a necessidade de massificação do conteúdo. Ou seja, o alto volume de reedições causa divergências entre o original e as inúmeras copias.

A mediadora Maria Clara Versiani Galery, professora de letras na UFOP, atua como elo contextualizador entre as a apresentações, e conduz para que Roger Chatier, professor francês e especialista em História das Práticas Culturais e História da Leitura, inicie a elaboração de seu tema.

Chartier destaca as mudanças significativas que a alteração de formatos de apresentação, como convergir um livro em uma peça teatral, causa na intencionalidade inicial do autor. O escritor exemplifica através de Shakespeare e Miguel de Cervantes, autores de teatro e romance, respectivamente. O primeiro obteve traduções de peças para livros, enquanto Cervantes recebeu obras transcritas em versões teatrais.

A preocupação com a manutenção dos valores de obra de arte e conservação do conteúdo original como instrumento da memória, se mantiveram com importantes inferências durante o diálogo.

Texto por Enrico Mencarelli, colaboração por Douglas Gomides

Published in: on 7 novembro, 2008 at 9:03 pm  Comments (1)  

Há chave para a construção do Romance?

Quem esperava uma resposta simples, teve a oportunidade de ampliar os horizontes quanto às questões que permeiam a construção do Romance.

Um debate que trouxe muitos exemplos práticos e diversos estilos individuais no que tange à construção do Romance.

Compuseram a mesa Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves, João Batista Melo e Maria Esther Maciel. A mediação ficou por conta de Almir de Freitas. Um “cast” de excelentes escritores, sem dúvidas. E o melhor (ao menos para o tema proposto), todos discutiram suas características individuais no processo de criação do Romance.

Os temas abordados foram desde a influência das experiências subjetivas na criação dos personagens até o planejamento da história em si.

João Batista Melo, por exemplo, afirmou não criar nenhum personagem totalmente terminado. Ana Maria Gonçalves, por outro lado, faz um detalhamento sofisticadíssimo de suas personagens: cerca de dez páginas para catalogar todas as facetas de uma única personagem.

Por esses e tantos outros vieses, a discussão se desenrolou num tom agradável, e em alguns pontos se mostrou bem didática (embora não tenha se prendido ao campo teórico/técnico). O público presente teve a oportunidade de colher depoimentos ricos de autores e, a partir desses elementos, seguirem na busca da chave da construção do Romance.

Almir de Freitas, Maria Esther Maciel, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves e João Batista Melo. Foto por Simião Castro.

Da esq. para a dir.: Almir de Freitas, Maria Esther Maciel, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves e João Batista Melo. Foto por Simião Castro.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 6:00 pm  Comments (2)  

Um Brasil inventado…

Sexta-feira, dia 7 de novembro de 2008

Abrindo as apresentações do dia, tivemos Literatura em Cena no Centro de Convenções. Uma conversa muito elucidativa sobre os 200 anos da chegada da Corte portuguesa no Brasil foi estabelecida entre os convidados do evento e todo o público. Compunham a mesa: Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto, Laurentino Gomes e Fuad Yazbeck, escritores e Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil. A mediação foi feita por Guiomar de Grammont, escritora, dramaturga e diretora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura da UFOP.

Agora convido você, leitor, a embarcar em um universo composto por ficção e história que permeou todo o debate.

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    Guiomar de Grammont, Fuad Yazbeck, Francisco Seixas

    da Costa, Laurentino Gomes e Angelo Oswaldo

“1808- A invenção do Brasil”

           Se quando lhe perguntam a idade do Brasil você responde “500 anos” sem pestanejar, saiba que essa resposta pode ser contestada. Segundo o jornalista Laurentino Gomes, escritor do livro 1808, o Brasil nasceu apenas há 200 anos quando Dom João VI fugiu das tropas napoleônicas, deixando Lisboa para fazer do Rio de Janeiro a sede do Império. Gomes, que iniciou a palestra, contou também sobre o fato de Dom João ter “clonado” Portugal aqui no Brasil, deixando uma herança portuguesa muito perceptível em todo esse processo de invenção do nosso país.

        A seguir foi a vez de Fuad Yazbeck discorrer sobre o assunto. Ele disse que o Brasil, após ter sido encontrado por Portugal, foi ignorado até 1771. “Essa terra existe, é nossa, depois veremos o que fazer com ela.”- assim se estabelecia o pensamento português.

      Já Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil, abordou como a questão da vinda da Corte para cá sempre foi muito controversa. Ele disse que Portugal busca esquecer esse período, pois acredita que este seja vergonhoso. Sobre a abertura dos portos, para o embaixador, Dom João “assinou a sentença de morte do imperialismo português”.

      Tivemos a oportunidade também de ouvir muitos comentários de Angelo Oswaldo, jornalista e prefeito de Ouro Preto.

      Em seguida, a palestra foi aberta a para a participação do público, tanto para perguntas, quanto para comentários. Primeiramente, Guiomar de Grammont perguntou para Fuad Yazbeck e Laurentino Gomes como é se valer da história para fazer um romance.

      Yazbeck respondeu: “Minha idéia não foi mais do que uma revivência infantil de escrever um livro de aventuras. Havia também a idéia de trabalhar com um fato tão marcante como a história do Brasil. Quando se pretende a construção de uma personagem ficcional em um ambiente histórico real, existe uma grande dificuldade: representar uma personagem no contexto histórico da época, principalmente pela perspectiva do comportamento.”

     Laurentino, entretanto, disse que seu livro não é de ficção. Trata-se de um livro histórico, porém com uma linguagem literária, até para que ele seja compreensível para as pessoas mais leigas.

      Ouvimos o emocionante depoimento de Efigênia, uma moradora de Ouro Preto que diz ser de grande importância iniciativas como o Fórum das Letras, onde são oferecidos eventos culturais gratuitos.

        (veja a entrevista completa em Entrevistas)

 

      Encerro, enfim, com a magia de Machado de Assis, descrevendo, de maneira singular, a relação entre o ficcional e o histórico tão presente nessa significativa conversa.

   “Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Porque essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples.O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista; o contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio, e entende que contar o que se passou é só fantasiar.”

– trecho lido pela professora Marli Fantini.

 Texto por Júlia Abrão

 

 Foto por Júlia Abrão

Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:29 pm  Comments (2)