Bebendo em verso e prosa

Sexta-feira, 7 de Novembro

Cor de fubá
Cor de fubá

O que esperar de uma noite de sexta? Bebida? E se ela vier dentro de poesia?

Foi esse o alvo do Grande Cortejo, que começou às 21h e partiu do Chafariz do Cinema ao Chafariz do Rosário. O garçom da noite foi Geuder Martins, que servia as poesias ao som do grupo Cor de Fubá, uma perfeita e harmoniosa junção de estudantes da UFOP de Filosofia, Música e Artes Cênicas.

E como o cliente sempre tem razão, o público pôde interagir e colocar um pouco de sua poesia na bandeja.

“É a hora da embriaguez ! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar ! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.”
Esse é um poema de Charles Beaudelaire declamado por Geuder Martins.

postado porLuiza Lourenço, com a colaboração de Luana Viana.

foto por Luiza Lourenço

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Published in: on 7 novembro, 2008 at 10:26 pm  Comments (2)  

O desgaste do original através do tempo

Sexta-feira, 7 de novembro de 2008.

16h30

Enrico Mencarelli

Foto:Enrico Mencarelli

O tempo e a originalidade entram em atrito na discussão sobre “os livros que não existem mais”, por Jacyntho Lins Brandão e Roger Chartier, com mediação de Maria Clara Versiani Galery.

Jacyntho Lins Brandão é escritor e professor de grego na UFMG, e em sua conversa afirma a importância dos documentos e fragmentos históricos na formação da memória humana. A perda de tais objetos possui significativa ruptura em determinado espaço de tempo. O escritor ainda aborda a diminuição da originalidade de uma obra diante do tempo, versões e traduções, uma vez que o contexto de uma época muda a medida que a linguagem evolui, ocasionando a necessidade de massificação do conteúdo. Ou seja, o alto volume de reedições causa divergências entre o original e as inúmeras copias.

A mediadora Maria Clara Versiani Galery, professora de letras na UFOP, atua como elo contextualizador entre as a apresentações, e conduz para que Roger Chatier, professor francês e especialista em História das Práticas Culturais e História da Leitura, inicie a elaboração de seu tema.

Chartier destaca as mudanças significativas que a alteração de formatos de apresentação, como convergir um livro em uma peça teatral, causa na intencionalidade inicial do autor. O escritor exemplifica através de Shakespeare e Miguel de Cervantes, autores de teatro e romance, respectivamente. O primeiro obteve traduções de peças para livros, enquanto Cervantes recebeu obras transcritas em versões teatrais.

A preocupação com a manutenção dos valores de obra de arte e conservação do conteúdo original como instrumento da memória, se mantiveram com importantes inferências durante o diálogo.

Texto por Enrico Mencarelli, colaboração por Douglas Gomides

Published in: on 7 novembro, 2008 at 9:03 pm  Comments (1)  

Há chave para a construção do Romance?

Quem esperava uma resposta simples, teve a oportunidade de ampliar os horizontes quanto às questões que permeiam a construção do Romance.

Um debate que trouxe muitos exemplos práticos e diversos estilos individuais no que tange à construção do Romance.

Compuseram a mesa Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves, João Batista Melo e Maria Esther Maciel. A mediação ficou por conta de Almir de Freitas. Um “cast” de excelentes escritores, sem dúvidas. E o melhor (ao menos para o tema proposto), todos discutiram suas características individuais no processo de criação do Romance.

Os temas abordados foram desde a influência das experiências subjetivas na criação dos personagens até o planejamento da história em si.

João Batista Melo, por exemplo, afirmou não criar nenhum personagem totalmente terminado. Ana Maria Gonçalves, por outro lado, faz um detalhamento sofisticadíssimo de suas personagens: cerca de dez páginas para catalogar todas as facetas de uma única personagem.

Por esses e tantos outros vieses, a discussão se desenrolou num tom agradável, e em alguns pontos se mostrou bem didática (embora não tenha se prendido ao campo teórico/técnico). O público presente teve a oportunidade de colher depoimentos ricos de autores e, a partir desses elementos, seguirem na busca da chave da construção do Romance.

Almir de Freitas, Maria Esther Maciel, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves e João Batista Melo. Foto por Simião Castro.

Da esq. para a dir.: Almir de Freitas, Maria Esther Maciel, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves e João Batista Melo. Foto por Simião Castro.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 6:00 pm  Comments (2)  

Um Brasil inventado…

Sexta-feira, dia 7 de novembro de 2008

Abrindo as apresentações do dia, tivemos Literatura em Cena no Centro de Convenções. Uma conversa muito elucidativa sobre os 200 anos da chegada da Corte portuguesa no Brasil foi estabelecida entre os convidados do evento e todo o público. Compunham a mesa: Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto, Laurentino Gomes e Fuad Yazbeck, escritores e Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil. A mediação foi feita por Guiomar de Grammont, escritora, dramaturga e diretora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura da UFOP.

Agora convido você, leitor, a embarcar em um universo composto por ficção e história que permeou todo o debate.

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    Guiomar de Grammont, Fuad Yazbeck, Francisco Seixas

    da Costa, Laurentino Gomes e Angelo Oswaldo

“1808- A invenção do Brasil”

           Se quando lhe perguntam a idade do Brasil você responde “500 anos” sem pestanejar, saiba que essa resposta pode ser contestada. Segundo o jornalista Laurentino Gomes, escritor do livro 1808, o Brasil nasceu apenas há 200 anos quando Dom João VI fugiu das tropas napoleônicas, deixando Lisboa para fazer do Rio de Janeiro a sede do Império. Gomes, que iniciou a palestra, contou também sobre o fato de Dom João ter “clonado” Portugal aqui no Brasil, deixando uma herança portuguesa muito perceptível em todo esse processo de invenção do nosso país.

        A seguir foi a vez de Fuad Yazbeck discorrer sobre o assunto. Ele disse que o Brasil, após ter sido encontrado por Portugal, foi ignorado até 1771. “Essa terra existe, é nossa, depois veremos o que fazer com ela.”- assim se estabelecia o pensamento português.

      Já Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil, abordou como a questão da vinda da Corte para cá sempre foi muito controversa. Ele disse que Portugal busca esquecer esse período, pois acredita que este seja vergonhoso. Sobre a abertura dos portos, para o embaixador, Dom João “assinou a sentença de morte do imperialismo português”.

      Tivemos a oportunidade também de ouvir muitos comentários de Angelo Oswaldo, jornalista e prefeito de Ouro Preto.

      Em seguida, a palestra foi aberta a para a participação do público, tanto para perguntas, quanto para comentários. Primeiramente, Guiomar de Grammont perguntou para Fuad Yazbeck e Laurentino Gomes como é se valer da história para fazer um romance.

      Yazbeck respondeu: “Minha idéia não foi mais do que uma revivência infantil de escrever um livro de aventuras. Havia também a idéia de trabalhar com um fato tão marcante como a história do Brasil. Quando se pretende a construção de uma personagem ficcional em um ambiente histórico real, existe uma grande dificuldade: representar uma personagem no contexto histórico da época, principalmente pela perspectiva do comportamento.”

     Laurentino, entretanto, disse que seu livro não é de ficção. Trata-se de um livro histórico, porém com uma linguagem literária, até para que ele seja compreensível para as pessoas mais leigas.

      Ouvimos o emocionante depoimento de Efigênia, uma moradora de Ouro Preto que diz ser de grande importância iniciativas como o Fórum das Letras, onde são oferecidos eventos culturais gratuitos.

        (veja a entrevista completa em Entrevistas)

 

      Encerro, enfim, com a magia de Machado de Assis, descrevendo, de maneira singular, a relação entre o ficcional e o histórico tão presente nessa significativa conversa.

   “Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Porque essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples.O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista; o contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio, e entende que contar o que se passou é só fantasiar.”

– trecho lido pela professora Marli Fantini.

 Texto por Júlia Abrão

 

 Foto por Júlia Abrão

Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:29 pm  Comments (2)  

Palavra de Audeumaro Taranto a respeito de Ouro Preto e sua magia

Estudioso das obras de Machado de Assis e Guimarães Rosa, Audeumaro Taranto Goulart conversa abertamente com o estudante de jornalismo Douglas Gomides sobre suas perspectivas a respeito da cidade de Ouro Preto e a mágica que nela transparece.


Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:26 pm  Deixe um comentário  

O Passarinho Engaiolado – Rubem Alves

 

 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho.De sua vida o mínimo que se poderia dizer era que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita com arames de ferro ou de deveres. Os sonhos aparecem, mas logo morrem, por não haver espaços para baterem suas asas. Só fica um grande
buraco na alma, que cada um enche como pode. Assim, restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era o aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da segurança da gaiola.

Bem se lembrava do dia em que, enganado pelo alpiste, entrou no alçapão. Alçapões são assim; tem sempre uma coisa apetitosa dentro. Do alçapão para a gaiola, o caminho foi curto, através da Ponte dos Suspiros.

Há aquele famoso poema do Guerra Junqueiro, sobre o melro, o pássaro das risadas de cristal. O velho cura, rancoroso, encontrara seu ninho e prendera seus filhotes na gaiola. A mãe, desesperada com o destino dos filhos, e incapaz de abrir a portinha de ferro, traz no bico um galho de veneno. Meus
filhos, a existência é boa só quando é livre. A liberdade é a lei. Prende-se a asa, mas a alma voa… Ó filhos, voemos pelo azul…! Comei…!

 É certo que a mãe do passarinho nunca lera o poeta, pois o que ela disse ao filho, foi: Finalmente minhas orações foram respondidas. Você está seguro pelo resto de sua vida. Nada há a temer. Não é preciso se preocupar.
Acostuma-se. Cante bonito. Agora posso morrer em paz.

Do seu pequeno espaço ele olhava os outros passarinhos. Os bem-te-vis, atrás dos bichinhos; os sanhaços, entrando mamões adentro; os beija-flores com seu mágico bater de asas; os urubus nos seus vôos tranquilos da fundura do céu; as rolinhas arrulhando, fazendo amor. As pombas voando como flexas. Ah! Os prudentes conselhos maternos não o tranquilizavam. Ele queria ser como os
outros pássaros, livres…Ah! se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta? Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair.
Agachou-se no galho, para Ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais adiante. Teve vontade de ir até la. Perguntou-se se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Neste momento um insetinho passou voando bem na frente do seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais
que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu mostrando a língua.

  – Ei, você -era uma passarinha. – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato, que anda por lá…

 Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de
pimentas. A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com ele a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava. Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde sua gaiola ficava dependurada. Teve saudades dele. Teria de
dormir num galho de árvore, sem proteção. Gatos sobem em árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos meninos com seus estilingues, no dia seguinte.Tremeu de medo. Nunca imaginaria que a liberdade fosse tão complicada.
Somente podem gozar a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve
saudade da gaiola. Voltou. Felizmente a porta ainda estava aberta.

Neste momento chegou o dono. Vendo a porta aberta, disse:- Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego. Pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar.

fonte http://digoeu.blogs.sapo.pt/arquivo/342544.html

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço

Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:23 pm  Deixe um comentário  

Mais letrinhas…

Sexta-feira, dia 07 de novembro

E a Casa da Ópera se encontrou cheia mais uma vez. Nada mais que justo uma homenagem ao convidado do terceiro dia do Fórum das Letrinhas, Rubem Alves.

Rubem Alves no Fórum das Letrinhas

Rubem Alves no Fórum das Letrinhas

Antes do Bate-papo com o público, o escritor assistiu a uma adaptação para teatro de seu livro “A Casa” , apresentada pela Companhia Atrás de Teatro.

Rodeado por crianças, o ambiente não lhe era estranho. “As crianças são honestas e minhas amigas” disse Rubem Alves, revelando sua consideração por elas, quando trocou a poltrona pelo chão do palco. Foi dali que ele contou um pouco da sua história de vida, relacionando-a com suas criações.

Livros como “O Patinho que Não Aprendeu a Voar”, “A Menina e o Pássaro Encantado”, ” A Árvore e a Aranha” são resultados de experiências de sua própria vida, que transcritas para a linguagem infantil trazem novas visôes e reflexões para quem os lê.

“Grande é a poesia, a bondade e as danças. Mas a melhor coisa do mundo são as crianças.”  Citando Fernando Pessoa, Rubem Alves sintetiza o valor em cultivar a literatura nos que estão apenas começando a criar.

Leia o conto “O Passarinho Engaiolado” em https://palavrasemrede.wordpress.com/category/variedades/

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luiza Lourenço.

Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:03 pm  Deixe um comentário  

A história brasileira em uma perspectiva portuguesa

Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil, é um estudioso das relações entre Portugal e Brasil desde a época da colonização. Nessa interessante conversa, Júlia Abrão e Douglas Gomides abordaram diversos aspectos das duas culturas, a portuguesa e a brasileira. Francisco Seixas relaciona as literaturas de ambos países e também fala sobre os mistérios do passado português na cidade de Ouro Preto.

veja a entrevista completa em:

Published in: on 7 novembro, 2008 at 4:57 pm  Deixe um comentário  

Entrevista com o escritor Fuad Yasbeck

Logo depois da palestra “1808 – a invenção do Brasil”, aproveitei para conversar com um de seus participantes. O escritor Fuad Yazbeck disse sobre a diferença entre a escrita historia e a literária, bastante discutida em sua palestra. Yazbeck é autor de diversas crônicas, contos e artigos científicos. Segundo ele, na literatura você tem uma certa liberdade que a história não permite.

“Quando você faz um trabalho de história, você está subordinado aos rementos, aos fatos, aos documentos e você deve evitar ao máximo. Pelo menos esse me parece ser o papel do historiador, você deve fazer uma insenção completa para que não haja, sobre o fato, qualquer intervenção de seus próprios valores, das suas idéias e das suas posições. Porém, quando você escreve um romance, você é absolutamente livre para exprimir o que tem em mente, e colocar suas opiniões, colocar suas versões, colocar as suas idéias, suas ideologias.”

Em seguida, Yazbeck comentou sobre diversas mudanças que a literatura brasileira sofreu desde do Século XVIII. O escritor utilizou como exemplo os Incofidentes em Ouro Preto,

” … o horizonte literário se restringia a um horizonte bastante estreito, que era o próprio horizonte de Vila Rica, da Província de MInas Gerais e quando muito, o universo do Brasil.”

Na opinião de Yazbeck, hoje em dia existe um universo que é realmente “universal”, e com isso você tem um público mais abrangente. Nas palavras do escritor, a tecnologia ajudou muito para alcançar tal abrangência. “Isso tudo,é resultado do procresso evolutivo que ocorre na sociedade e, consequentemente, na literatura.”

Escrito por Douglas Gomides

Published in: on 7 novembro, 2008 at 3:31 pm  Deixe um comentário  

Quem veio primeiro… a letra ou a música?

Quinta-feira, 6 de novembro de 2008.

Um encontro majestoso.

Sob o enunciado “O mistério do encontro entre Letra e Música”, um excelente trio ditou o ritmo no Centro de Convenções. Pasquale Cipro Neto, Fernando Brant e Celso Adolfo, com a mediação de Jorge Fernando dos Santos, realizaram um encontro agradável e divertido. A missão: analisar a questão nem sempre simétrica do equilíbrio entre semântica, fonética e musicalidade. O resultado?

"Os mistérios do encontro entre Letra e Música". Foto por Felipe Bianchi

A intimidade de Celso Adolfo e Fernando Brant com Milton Nascimento foi lembrada em várias ocasiões, como nos exemplos de composição lírica e musical em conjunto com o renomado artista. Celso Adolfo fez questão de dizer que raramente compõe a letra antes da música. Quando o faz, trata de preparar uma letra com métrica irretocável, visando a fluidez na fusão dos elementos que comporão a música.

Pasquale falou de sua relação com o tema da palestra. Desde suas primeiras aulas ministradas (lembra que começou a dar aulas em 1975) utilizou exemplos musicais para ilustração gramatical. Declarou ser amante da boa música, em especial da Música Popular Brasileira, e revelou, em tom irreverente, ser sua casa um verdadeiro centro de audição de discos.

No meio de tanta conversa, uma linda apresentação musical de Celso Adolfo e Fernando Brant trouxe ares renovadores para o Fórum das Letras. A melodia se espalhou pelo ar e o lirismo tomou conta dos presentes.

Uma palestra e tanto.

Uma sinfonia impecável, regida perfeitamente, com instrumentistas de alto escalão.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 3:29 pm  Comments (1)  

A Produção Cenográfica do Fórum das Letras 2008 – Estética, signo e bem-estar

Valéria Neno, cenógrafa, contou ao Palavras em Rede um pouco de sua participação na produção do evento.

No segundo andar do Centro de Convenções, a descontraída conversa se deu num espaço confortável com painel de entrevistas coletivas, mesas, sofás e uma livraria móvel da UFMG. Abaixo, a entrevista.

Felipe Bianchi: Desde quando está envolvida no projeto?

Valéria Neno: Há três anos. Participo desde a segunda edição e minha parte é design de ambiente e cenografia. Fui convidada exatamente para dar uma cara diferente para o evento, essa proximidade em relação as pessoas e autores, essa história da ambientação ser muito descontraída, ter essa liberdade de ter um bar funcionando e as pessoas poderem comer um tira-gosto, tomar alguma coisa, se refrescar, né, porque geralmente essa época é muito quente…

FB: E o ambiente também está bem fresco com aquele sistema de ventilação (nota: sistema de pequenos canos que dão pequenas borrifadas de água seguida de ventilação, para refrescar o ambiente)

VN: Então, esse ano a gente introduziu inclusive o que era um pedido dos anos anteriores, pois havia problema com a climatização. Mas você viu aí que esse ano estamos cheios de ventiladores, jatinhos, uma delícia…

FB: E aqui (em Ouro Preto) é quente a tarde, né.

VN: É, é muito quente.

A gente tem também essa preocupação em relação ao som, iluminação, de que seja uma coisa bem aconchegante e que as pessoas se sintam realmente a vontade.

Eu faço todo o trabalho em cima do logotipo do evento, que é a voluta. Essa voluta barroca, além de combinar muito com Ouro Preto, acho que quer dizer muita coisa dessa sinuosidade das curvas, desses elementos, que eu acho que indica muito também essa liberdade dos escritores e da própria literatura. Muitas curvas, muitas facetas. É muito importante para nós da cenografia as pessoas acharem isso tudo muito bonito. É um clima que ajuda muito na apreciação, as pessoas se sentirem respeitadas por estarem num ambiente agradável.

Esse ano eu trabalhei com a fechadura. Olhar por ela nos remete a história do mistério, e o interessante que coincidiu exatamente eu ter escolhido Dom Casmurro para colocar lá dentro e a Globo ter todo esse estande em cima de Capitu, que está maravilhosa, e eu achei legal essa interação também.

Nossa equipe está muito satisfeita.

É muito interessante a Universidade dar essa oportunidade aos alunos, não só de estar dando bolsas mas também de oferecer um evento que proporciona um ótimo aprendizado.

FB: Quando começou o trabalho dessa quarta edição?

VN: Desde abril estamos trabalhando sobre o tema. O Centro de Convenções tem uma infra-estrutura muito legal. Estamos com uma equipe muito legal.

FB: O tema. O tema por si só já é um mistério.

VN: É. O mistério é essa coisa do atrativo. Todo o trabalho gráfico apresenta formas misteriosas, da voluta, e o painel, que é uma homenagem a Ouro Preto, que é essa coisa belíssima da névoa de Ouro Preto. Coincidentemente, muitas pessoas puderam ver isso no princípio do festival, pois estava chovendo, então puderam ver o que o painel representa.

FB: E esse cenário é uma marca de Ouro Preto, né?

VN: Sim, é lindo, de flutuar. Ouro Preto, que é uma coisa tão densa, tão pesada, flutuando como se fosse pedaços de anjo. O painel ainda tem uma cor diferente do logotipo. Todo ano a gente trabalha muito com o branco, preto e vermelho, que são as cores tradicionais do evento. Dessa vez, usei o azul porque como o Fórum é televisionado pela própria TV Ufop e o CPPA (Centro de Produção e Pesquisa Audiovisual), além de ter cobertura fantástica da Globo Minas, Rede Minas e Canal Futura, e isso vira um programa do Futura depois, eu tive a intenção de usar o azul porque , na TV, essa cor explode em beleza.

FB: Muito obrigado, Valéria. Parabéns pelo trabalho.

VN: De nada, Felipe. Acessarei o blog depois.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 2:04 pm  Comments (2)  

Qual é a rima?

Quinta-feira, 07 de novembro.
Às 10h10, os alunos do 4° ano da Escola Municipal Monsenhor João Castilho Barbosa subiram a Rua Xavier da Veiga para adentrar o mundo da poesia e desvendar os mistérios da rima.

Não teria lugar melhor senão a Biblioteca Municipal de Ouro Preto para promover esse encontro, comandado por  José Santos e seu filho Jonas Matos, de 13 anos.

Apesar da pouca idade, Jonas demonstrou ter perfeita sintonia com a literatura, prova disso é sua participação na autoria do livro “A Casa do Franquis Tem”, em conjunto com seu pai.

Orientadas pelos escritores, a garotada propôs palavras que formaram as rimas do poema ” A bruxinha”. Após a Oficina, todo participante saiu se sentindo um pouco mais poeta.

foto por Luiza Lourenço

Poema criado na Oficina de Poesia.

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luiza Lourenço

Published in: on 7 novembro, 2008 at 1:20 pm  Deixe um comentário  

Mistérios Comentados – a mulher para Machado de Assis e Guimarães Rosa

Quinta-feira, 5 de novembro de 2008.


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Elzira Perpétua, Márcia de Morais, Marli Fantini, Benjamin Abdala Junior e Audemaro Taranto Goulart

“Diadorim é minha neblina” – foi isso que Riobaldo, personagem de “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, disse relacionando a moça com sua capacidade de não enxergar, de não ver, de não viver. É exatamente essa neblina que simboliza o mistério intrínseco na personagem Diadorim, ao longo da obra de Guimarães Rosa.

Esse tema, juntamente com o mistério em relação ao adultério da personagem Capitu, na obra “Dom Casmurro” de Machado de Assis, foi desmembrado e amplamente questionado numa conversa com quatro importantes críticos literários dos tempos atuais: Marli Fantini, Benjamin Abdala Junior, Audemaro Taranto Goulart e Márcia de Morais, mediados por Elzira Perpétua.

A conversa, que inaugurou a tarde no Centro de Convenções de Ouro Preto, por volta das 14h30, tentou traçar um paralelo entre duas das mais importantes personagens femininas da literatura brasileira: Diadorim e Capitu. Os quatro participantes estabeleceram esse paralelo aproximando-as pelo mistério que se oculta nas névoas dos “olhos de ressaca” e no verde olhar cansado do sertão.

Márcia de Morais estabelece essa relação entre as duas personagens a partir de Diadorim, que se veste como um jagunço e passa a viver entre homens. O mistério que envolve o gênero sexual Diadorim, diz Márcia, é delicadamente decifrado com pequenas informações e muita atenção ao longo da leitura da obra, embora seja desvendado por completo apenas no grande final. A convidada diz também que o mistério da obra é o próprio olhar de Diadorim. “O mistério é verde e está no livro para ser desvendado”, diz ela.

Audemaro Goulart já estabelece essa relação com outros parâmetros. A fim de evitar considerações óbvias sobre o assunto, o convidado relacionou as personagens a partir do adultério e do homoerotismo – temas centrais dos dois romances. Audemaro decifra o tal enigma aplicando-o a uma desordem social, a uma descontrução de valores. Ambos os enredos das obras trazem uma forma de desestabilizar a ordem, visto que a admiração de Riobaldo por Diadorim é de caráter homossexual (mesmo Diadorim se apresentando mulher no final, Riobaldo se apaixonou por um homem) e que Capitu não estava completamente satisfeita com as relações sociais, demonstrando, assim, uma atitude de sabotagem ao modelo social dominante.

Marli Fantini fala sobre a fraqueza moral de Riobaldo e a dificuldade que o mesmo possui de enxergar quem realmente é Diadorim. Apaixonado, Riobaldo não se conforma quando se defronta com a morte da então recém-descoberta moça. Diz, então: “não escrevo, não falo, não é, não foi, não fica sendo”, a fim de não admitir sua morte. Para Riobaldo, se ele não assumisse a morte de Diadorim, ela não morreria.

O professor Benjamim Abdala termina dizendo ser a literatura de Machado de Assis uma forma de microcosmo da realidade social. Disse também que a causa do ciúme de Bentinho não era apenas Capitu, mas também seu amigo Escobar, pelo qual tinha imensa admiração.

Esse debate teve um importante encaixe como tema geral do Fórum das Letras 2008: “O mistério na literatura”. A articulação dos representantes e a abordagem bastante desmembrada das obras fez com que os ouvintes se interessassem bastante e participassem ativamente do bate-papo no final da apresentação.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 7 novembro, 2008 at 1:25 am  Deixe um comentário  

Da superfície às profundezas do Fórum das Letras 2008

Da superfície às profundezas da notícia, da reflexão, do artigo bem trabalhado, das palavras selecionadas, das visões diversificadas, da adequação de excelente conteúdo em forma relativamente reduzida. Todos os elementos, na multiplicidade do evento, movidos à sede empírica de Jornalismo dos alunos da primeira turma de Comunicação Social (Jornalismo) da UFOP.

Esse é o Boletim Letra a Letra.

Produzido por um grupo de estudantes de Jornalismo da UFOP – que não nós -, porém atuando em conjunto, o Boletim Letra a Letra cobre diariamente essa edição do Fórum das Letras. Trazendo abordagens interessantes e um agradável repertório discursivo, nos brindam com a versão impressa da cobertura do evento feita por alunos de Jornalismo.

O Boletim pode ser encontrado durante todos os dias do evento, nos locais onde ocorrem as atividades. E claro, é gratuito.

Não perca a oportunidade de se manter informado… Letra a Letra.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 1:06 am  Deixe um comentário