A vida e a morte na palma da mão

Em “onde pulsa o segredo do conto”, João Corracoza, escritor, profesor e redator de propaganda, define o conto como um arbusto, onde a memória coletiva e pessoal, caracterizadas pela vivência de cada autor, emcaminha as surpresa e impactos que podem ser observadas pelos leitores. Tais objetos são como ramos ou pequenos animais, que aparecem no arbusto apenas para o espectador atento. O escritor de contos Eric Nepomuceno, defende a memória como matéria-prima de qualquer obra literária, e propõe a imaginação como ferramenta de criação. Afirma que literatura é partir de um dado real, com adições de elementos fictícios, destinados a impactar o leitor, causando emoções diferentes em cada um, a partir da experiência de mundo que tenham apreendido. Já Jerônimo Teixeira, Jornalista e mestre em comunicação, acredita que pode-se escrever sobre o que não foi vivido, basta apenas ter vivênciado. Argumenta que as pessoas ao redor, desde familiares até estranhos das ruas, inserem experiências e divergências ao logo de nossas vidas.

A conversa ainda remete a influência que a figura paterna possui na obra de cada autor, partindo da perpectiva do simples incentivo diário de um pai, e seguindo até o maior elo entro ambos, a convivência.

O último tópico abordado é a incomunicabilidade comum aos textos de Corracoza, Nepomuceno e Teixeira, principamente sob a forma de silêncios e ocultamentos. Destacam que muitas vezes um autor é interpretado de modo diferente de sua intencionalidade, e outras vezes o desfecho de uma obra simplesmente não é passível de interpretação, uma vez que o autor intenciona o impacto pelo vazio.

O que ficou claro ao longo do debate, foi o fato do escritor não ter controle sobre sua obra após a mesma ser publicada. Ou seja, a interpretação funciona como conseguinte de cada individuo. Um final singular, pode muito bem remeter a uma pluralidade de significados.

Texto por: Enrico Mencarelli.

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Published in: on 8 novembro, 2008 at 9:57 pm  Comments (1)  

No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra

Carlos Drummond de Andrade

fonte: http://www.horizonte.unam.mx/brasil/drumm3.html

postado por Luiza Lourenço

Published in: on 8 novembro, 2008 at 9:33 pm  Deixe um comentário  

Mistério noir

Na tarde de sábado, ocorreu uma conversa entre os escritores Francisco José Viegas, Lourenço Mutarelli e Marçal Aquino, na qual o assunto discutido foi “Quais as estratégias de captura da atenção do leitor no romance noir?”. O romance noir é um outro nome dado ao romance policial,o qual foi muito descriminado pela elite cultural desde a sua criação.

A primeira pergunta aprensentada pelo mediador Alécio Cunha, também escritor, foi a respeito da estratégia que os autores utilizam para seduzirem seus leitores. Aquino disse que, em suas obras, ele simplesmente escreve aquilo que gostaria de ler, “Eu tento me alegrar como leitor”. Já Mutarelli expôs sua preocupação com a cadência na sua escrita. Viegas, por sua vez, disse que usa sim alguns truques, “Já que tenho insônia, quero provocar a insônia do meu leitor”.

O assunto colocado em pauta logo em seguida foi a diferença da literatura convencional e a literatura policial. Nesse quesito, os três tiveram opiniões divergentes. Viegas logo se caracterizou como um escritor do ramo “policial”, já Lourenço não acha que se enquadra em nenhum dos dois estilos. “Eu não ligo para rótulos”, disse Aquino mostrando concordar com a opinião do colega.

Na seqüência, os autores explicaram a dificuldade encontrada em transformar o assassinato em uma obra de arte. Segundo eles, nos dias de hoje, a ficção é a cada dia superado pela barbárie da vida real.

Quando abordaram a relação entre o cinema e o romance noir, viu-se uma tremenda aproximação entre essas duas vertentes. As palavras ditas por Lourenço Mutarelli, resumiram esse pensamento, “O livro é sempre um filme na cabeça de quem está escrevendo”, inclusive ele foi ator em um dos seus textos que viraram filmes.Aquino também tem uma ligação intrínseca com o Cinema, sendo roteirista de alguns filmes, dentre eles “O Invasor”, dirigido pelo paulista Beto Brant.

Outro tema discutido entre os palestrantes foi o mistério, principal elemento do Fórum das Letras 2008. Nenhum dos escritores soube ao certo definir a palavra, porém tentaram. “O mistério é aquela relação que todos nós temos com o desconhecido”, citou Viegas.

Após isso, foram abertas as perguntas para o público, que questionava diretamente sobre as obras de cada autor.Diversas indagações foram feitas e respondidas com uma imensa desenvoltura. Para finalizar, cada um dos autores leu um pedaço de algum livro de sua autoria e foram aplaudidos incessantemente pela platéia.

Texto por Douglas Gomides

Published in: on 8 novembro, 2008 at 8:52 pm  Deixe um comentário  

No meio do Fórum tinham as letrinhas…

pic_01381“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. ” Carlos Drummond de Andrade

Um problema, um obstáculo. Uma pedra no caminho? Para Carlos Drummond de Andrade, um desafio que virou poema.

Há 80 anos, a criação de Drummond transformou o significado de uma simples pedra. Hoje, para o Fórum das Letrinhas, ela virou arte.

Eram 14h30 quando as crianças se sentaram na Praça Tiradentes para comemorar o aniversário do poema de Drummond. Com papel, tinta e pedrinhas nas mãos, a criatividade que aparecia na garotada rolava solta. Um inocente e interessante ponto de vista do poema surgia a cada pincelada.

Com o fim da atividade se viu também o fim do Fórum das Letrinhas. Um Fórum que fez muito mais que apresentar o mundo das letras às crianças. Colocou-as como personagens principais do desvendar das letras. Afinal, grandes obras literárias são também coisas de gente pequena.

Confira em https://palavrasemrede.wordpress.com/category/variedades/

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luana Viana.

Published in: on 8 novembro, 2008 at 8:33 pm  Comments (2)  

“Cozinhando” sobre crônica

Marcia Tiburi, Manoel da Costa Pinto, Alberto Villas, Antônio Carlos Gaio e Luis Giffoni

Marcia Tiburi, Manoel da Costa Pinto, Alberto Villas, Antônio Carlos Gaio e Luis Giffoni

Sábado, 8 de novembro de 2008

      A boa crônica tem receita?

       A conversa inicia, às 14h30min, tentando responder essa pergunta, suscitada pela mediadora Marcia Tiburi. As respostas são muito diversas. Luís Giffoni começa dizendo que crônica pode ser tudo. “É o primeiro contato que o leitor tem com o jornal pela manhã. Não existe receita fixa, cada um faz a sua.”- disse ele.
        Já Antônio Carlos Gaio compara a crônica aos curtas-metragens, pois os dois são rápidos e dissecam o assunto de forma sucinta para atingir o leitor. Ele aborda também a questão da ligação entre quem lê e quem escreve, dizendo que o leitor precisa conversar com o cronista enquanto aprecia sua obra.
     Segundo Alberto Villas, o autor de crônicas possui um espaço sem pauta para escrever e traz ao leitor um momento de lazer entre tantas notícias negativas contidas em jornais e revistas. Para ele, nunca se escreveu tanta crônica como hoje, o que o leva a crer que este é um gênero em expansão.
     Manuel da Costa Pinto, o único da mesa a não escrever crônicas, disse que estas compõem um gênero autenticamente brasileiro, pautado no deboche e na auto-ironia. Ele acredita que as crônicas são uma contribuição do Brasil para os gêneros literários.
     Marcia Tiburi disse que precisamos duvidar sempre dessa pergunta e definiu o cronista como um sujeito altamente atento, que tem como foco o cotidiano e que trabalha o seu próprio olhar.  O autor, para ela, funde particular e universal, sempre se colocando como alguém fora da realidade.
      Depois, Tiburi pede para que os convidados sejam um pouco “profetas” perguntando se eles acreditam que um dia a crônica vai acabar. Para Villas, as pessoas estão cada vez mais  observadoras e ávidas por contar boas histórias, o que faz com que a crônica não acabe nunca. Ginoffi concorda. Ele diz que a crônica nunca vai deixar de contas fatos, que ela se encontra na filosofia atrás das pessoas.
      Gaio lembra que já decretaram o fim de várias coisas que nunca acabaram, como o vinil e o cinema. Ele sintetiza dizendo que enquanto houver a necessidade de dialogar a crônica existirá.
     E afinal, há ou não uma receita?
   Talvez não. Porém, uma dose de sedução, uma pitada de ironia, uma porção de informação e um toque de humor, escritos em caráter testemunhal, com certeza são os melhores ingredientes para a construção desse gênero tão popular no Brasil.

Texto pot Júlia Abrão

Foto por Luiza Lourenço

Published in: on 8 novembro, 2008 at 7:56 pm  Comments (2)  

Leituras filosóficas, poéticas e musicais na Igreja São Francisco de Assis

Um céu nublado, um dia quente e a Igreja São Francisco de Assis lotada. Foi esse o cenário da programação do Fórum das Letras nessa manhã de sábado.

Leitura da Igreja São Francisco de Assis
Guiomar de Grammont e Maurício Monteiro fizeram uma leitura da Igreja São Francisco de Assis, considerada uma das maiores obras do Barroco Mineiro.
Grammont nos ofereceu uma abordagem completa do contexto cultural em que a Igreja foi idealizada e construída. Detalhou e relacionou os contextos sociais, culturais e econômicos da época colonial, proporcionando uma compreensão de signos além da apreciação puramente visual da arte ali representada.
Já Monteiro apontou inúmeros signos implícitos nas pinturas de Manuel da Costa Ataíde e na arquitetura de Aleijadinho. Palavras, símbolos e objetos que, à primeira vista, passam despretensiosos pela nossa vista, foram analisados de maneira desmistificadora.

Música na Igreja São Francisco de Assis

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresentou à frente dos altares da Igreja, num espetáculo maravilhoso revestido com a magia da música e da história.
Fabio Mechetti, diretor musical e regente, anunciou o programa musical como um traço entre o Barroco Mineiro e o Classicismo Europeu. Compuseram o programa obras de Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.
A Orquestra, composta por mais de 65 músicos, se apresentou com um número menor de músicos devido o espaço reduzido da Igreja, porém esses, sem dúvida, realizaram um espetáculo que encantou os presentes.

A Orquestra na Igreja. Foto por Felipe Bianchi.

A Orquestra na Igreja. Foto por Felipe Bianchi.

Performance poética no adro da Igreja São Francisco de Assis
Ao fim da apresentação musical, ouvia-se vozes a declamar entusiasmadamente poesias. Tratava-se do grupo Antiatro Experimentos Cênicos. Palavras que se encontravam no ar, papéis arremessados aos ventos e um acompanhamento musical com um pé no jazz e outro em música tribal foram os componentes da atuação impecável do grupo de seis ou sete artistas vestidos de preto e vermelho e com os olhos semi-vendados.
O verso mais marcante foi declamado em uníssono: “Vila Rica de outro Preto”, seguido de menções à exploração do ouro na região.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 8 novembro, 2008 at 7:49 pm  Deixe um comentário  

Luiz Ruffato: perspicácia e irreverência num bate-papo prazeroso

Luiz Ruffato é escritor e formado em Jornalismo. Escreveu, entre outras obras, “Eles eram muitos cavalos” e o projeto ainda inacabado “Inferno Provisório”. Conversou conosco na tarde de sexta-feira momentos antes de compor a mesa que discutiria “a chave da construção do Romance”. Na sala dos autores, no Centro de Convenções, Luiz Ruffato estava acompanhado de José Matos e Almir de Freitas, os quais participaram descompromissadamente da entrevista.
Além de traçar paralelos entre jornalismo e literatura, Luiz Ruffato falou sobre diversos assuntos em um ambiente mais que descontraído. Pautamos nossa entrevista em algo dito pelo escritor noutra oportunidade: “Quem escreve uma história se preocupa com o ‘como’, enquanto quem conta uma história se preocupa com o ‘que’”.

À primeira pergunta feita por nós, Luiz Ruffato tratou das relações entre jornalismo e literatura. Segundo Ruffato, os dois são imiscíveis – dentro do contexto mercadológico em que estão inseridos. Ainda nesse contexto, critica o “mito da objetividade” que a imprensa prega. O cruzamento do jornalismo com a literatura seria, para ele, algo como engenharia e jornalismo, ou medicina e literatura. Para ilustrar esse ponto de vista, Ruffato cita a diferença entre forma e conteúdo dos dois. “No jornalismo, a angústia entre forma e conteúdo é menor, pois se utiliza de uma linguagem menos rebuscada para atingir grandes audiências. Já na literatura, a composição forma e conteúdo exige a busca do equilíbrio”. No entanto, aproxima as duas áreas quando fala da disciplina que o jornalismo lhe deu na hora de escrever. Com ele não existe a história de “Ah, hoje estou sem inspiração para escrever”. Escreve todos os dias, das 8 da manhã até por volta de meio-dia, inspirado ou não. “A redação de um jornal é um caos: televisões ligadas, telefones tocando, barulho, correria… mas você tinha que trabalhar. Tinha que entregar matéria”.
Quanto ao trabalho do escritor, Luiz Ruffato prega que é preciso ter humildade para reconhecer que quem escreve é um mero intermediário entre a história e o receptor.
Nessa hora, Ruffato faz uma pausa para tomar um café. Muito divertido, nos faz sentirmos íntimos e confortáveis. Várias vezes interrompe a prosa para cumprimentar os companheiros que chegavam à sala. Falavam de futebol.
De volta à entrevista, o escritor fala algo que repetiria durante a palestra: a dificuldade em se tratar de gêneros no Século XXI. Citando o caso dos gêneros sexuais, que se permeiam cada vez mais de heterogeneidades, deixa em segundo plano a questão do gênero literário. Isso recai sobre a questão da construção do Romance que, segundo Ruffato, não tem receita, nem regras, nem arquitetura exata. Fala de dedicação no ato da escrita, condicionando o bom resultado no equilíbrio entre forma e conteúdo.

Luiz Ruffato com o Boletim Letra a Letras nas mãos. Foto por Felipe Bianchi.

Luiz Ruffato com o Boletim Letra a Letra nas mãos. Foto por Felipe Bianchi.

Entrevista por Felipe Bianchi, Simião Castro e Matheus Felipe Silva

Texto por Felipe Bianchi

Published in: on 8 novembro, 2008 at 3:02 pm  Comments (1)  

Conversa com Daniel Bensaïd na Casa de Ópera

Sábado, 8 de novembro de 2008.
9h30

Nathalie, Daniel Bensaïd e Imaculada Kangussu

Nathalie, Daniel Bensaïd e Imaculada Kangussu

Inaugurando os eventos desse sábado, a Casa da Ópera recebeu o convidado Daniel Bensaïd, francês, filósofo, dirigente da Liga Comunista Revolucionária e professor de filosofia da Universidade de Paris VIII. A mesa literária contou, ainda, com a presença de Imaculada Kangussu, como mediadora, e Nathalie, como tradutora do convidado.

Esse encontro faz parte de um ciclo de palestras de lançamento do livro Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente. No livro, Bensaïd coloca uma sucessão de teoremas sobre grandes questões que deveriam ser lidas com uma visão crítica à prova do presente. “A visão do futuro é apocalíptica e a visão do tempo se esbarra no presente”, diz. Os títulos dos teoremas são: “A política é irredutível à ética e à estética”, “A luta de classes é irredutível às identidades comunitárias”, “A dominação imperial não é solúvel nas beatitudes da globalização mercantil”, “Quaisquer que sejam as palavras para expressá-lo, o comunismo é irredutível às suas falsificações burocráticas” e “A dialética da razão é irredutível ao espelho quebrado da pós-modernidade”. Todos esses teoremas pretendem se opor ao culto pós-moderno da fragmentação, visto por ele que a totalidade é irredutível. Essa negação da totalidade remete a um medo cego de todo o projeto de transformação social.

Durante sua apresentação, Bensaïd relacionou diversos assuntos com seu livro, como o comunismo em contraposição ao capitalismo, a violência vista como fruto do capitalismo moderno, a privatização e um suposto desaparecimento da política. O palestrante informa também que o momento oblíquo pelo qual a sociedade passa hoje em dia acaba por questionar os motivos pelos quais a política particular de cada Estado foi embasada.

A influência do capitalismo e de suas conseqüências no mundo pós-moderno se mantiveram como importantes referências ao longo da discussão.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 8 novembro, 2008 at 2:59 pm  Deixe um comentário  

A poesia é irmã gêmea da magia

Sexta-feira, 7 de novembro de 2008.

19h00

Rubem Alves e Elisa Lucinda
Rubem Alves e Elisa Lucinda

Emocionante. Essa é a palavra que mais define o encontro dessa noite.

Rubem Alves, poeta, escritor e professor de filosofia da Unicamp, e Elisa Lucinda, jornalista, poetisa e amante das artes, se apresentaram num delicioso encontro. Eu, francamente, não saberia redigir esse texto de outra maneira que não fosse carregado de toda a emoção que senti ao longo dessa conversa.

O título da mesa literária carrega o nome do livro de poesia recém-lançado pelos dois convidados: “Poesia do encontro”. Elisa Lucinda, com toda sua efusão e seus mais ou menos 20 livros na mesinha de vidro ao lado, soube levar essa conversa carregada de toda a emoção que se possa imaginar. A autora diz que ao declamar uma poesia, sente uma oscilação em seus batimentos cardíacos, uma sede, uma vontade de incorporar, de viver a poesia. Como diz Rubem Alves, encontra seu “estado de possessão”.

A poesia por Lucinda é calma e veloz, é frágil e feroz. Tem um balanço, uma entonação, um volume que vai do mais alto e gritante até o mais mansinho que já se viu. Lucinda domou o público, num resultado dotado de muitas risadas, muita emoção e – por que não? – lágrimas.

Rubem Alves citou alguns trechos de poemas com tanta sensibilidade e virtude que jamais presenciei antes. O poeta diz que a emoção que ele monta suas poesias rebate no olhar do público, e este não sabe se ri ou se chora. “A poesia nos ensina a ver”, diz.

A todo o instante, a pele se arrepiava, o coração batia diferente e as lágrimas escorriam sem que se percebesse. Era a poesia domando o ser, invadindo sua alma e se alojando lá, quietinha, quietinha… mas muda, jamais.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 8 novembro, 2008 at 3:10 am  Comments (1)