Palavras pingadas

A contraposição da luz à escuridão. O fogo. A primeira palavra esclarece o futuro, para sempre. A fala é o vento, a palavra é a rocha, a escrita é a chuva. A incisão na rocha é mais profunda e assim mais duradoura pelas gotas. Elas, quando ferem, respigam em novos pontos, novas vertentes, novos rumos. Aprofundar, fundo, dentro, introspecção. O que é escrito, talvez, seja justamente o registro eterno de sentimentos pensados, não frases soltas, cuspidas ao vento.

Estudar a palavra e escrevê-la é o triunfo do homem sobre a memória. Desde o agora, para já, ao agora, para sempre. O jornal e o livro.

Jornalistas e escritores são literários-primos, tanto que existem momentos que não se sabe onde um começa e o outro termina. E quando se misturam, ah… o espectador é tocado pelo mundo em palavras, e vê palavras tocando o mundo.

Mas nem só de canetas vive o universo literário. Ainda existem os que contam o mundo através de imagens, estas paradas ou em movimento. É o registro definitivo, em sua forma mais crua, para inglês ver (lembrando que a visão é um sentido animal básico e comum a todos).

Esse registro nada mais é que identificar e formatar símbolos, como figuras rupestres, que reconhecerão cada era de tempo como única e duradoura. E o ponto final marca sempre o próximo início, ciclicamente.

Texto por Enrico Mencarelli.

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Published in: on 9 novembro, 2008 at 9:18 pm  Deixe um comentário  

Seminario CULT de jornalismo

JotaBê Medeiros, João Paulo Cunha, Luiz Carlos Merten e Jerônimo Teixeira

JotaBê Medeiros, João Paulo Cunha, Luiz Carlos Merten e Jerônimo Teixeira

Quem se inscreveu e compareceu ao Seminário Cult de Jornalismo Cultural teve uma grande aula de Jornalismo sob a perspectiva profissional. O enfoque foi na área cultural desta profissão.

O evento aconteceu na Sala São João Del Rei, no Centro de Convenções e contou com a presença de nomes de peso: Luiz Carlos Merten, crítico de cinema n’O Estado de S. Paulo; Jerônimo Teixeira, crítico literário na Veja e Zero Hora; JotaBe Medeiros, crítico musical n’O Estado de S. Paulo e João Paulo Cunha, editor d’O Estado de Minas.

O programa foi dividido em critérios para elaborar uma pauta de cultura, crítica literária, crítica musical e crítica de cinema. Todos os debates vinham recheados de relatos pessoais dos palestrantes, no sentido de passar um pouco da experiência como jornalistas, além de tentar mostrar vieses e peculiaridades da área à quem pretende trabalhar nela, sendo importante destacar a grande presença de jovens no público presente.

João Paulo Cunha falou sobre como montar uma pauta cultural. Colocou que, a princípio, jornalismo e cultura podem parecer paradoxais, à medida que o jornalismo praticado pelos grandes veículos tem como marca o imediatismo da notícia e a objetividade (apontada por muitos como um mito). Entretanto, dá vantagem ao jornalista que trabalha com a área cultural por esse ter mais tempo para planejar e estudar o que, analiticamente, será publicado.

Cunha expôs diversos obstáculos ao jornalista, como a questão da pressão exercida pelas exigências do mercado e da dificuldade (a ser superada) que é equilibrar o que é considerado erudito e o que é popular, de modo a atingir o público tão diverso dos grandes jornais.

Jerônimo Teixeira, que faz crítica literária na Revista Veja e no jornal Zero Hora, falou mais especificamente de sua área. A importância de “fisgar” o leitor que está entretido com as matérias diversas de uma revista, por exemplo, e a necessidade se fazer um trabalho que provoque o leitor e, mesmo que o desagrade, ser uma referência. Finalizou falando que considera fundamental o profissional ter um certo ceticismo e lidar com o mercado de maneira a identificar tendências. Ainda se gabou de ter o privilégio de, como crítico literário, ter acesso à diferentes obras e poder conhecer os mais diversos assuntos.

Jotabê, crítico musical n’O Estado de S. Paulo, se apresentou como crítico de rock e tratou de contextualizar o surgimento dessa vertente jornalística traçando paralelos com a própria história da música rock/pop no Brasil.

Abordou aspectos como a superação da informalidade típica do “fanzineiro” de rock e a adequação à crítica jornalística, o conhecimento amplo que deve-se ter da arte em geral, a necessidade de fazer correlações rápidas e a compreensão de que música não é só acordes.

Ainda falou na mudança radical ocasionada pelo ruir repentino do império fonográfico, que viu seu espaço tomado pelo MP3. Dos discos conceituais cada vez mais raros às alterações provocadas na própria maneira de fazer crítica à música, Jotabê carismaticamente fez os fãs de rock e de música em geral mais felizes nesse domingo, mesmo deixando claro que o jornalista dessa área não vive só de curtir bons shows.

Por último, falou o mais experiente da turma: Luiz Carlos Merten. Compartilhou sua vasta experiência na área com o público, contando diversos acontecimentos ao longo de sua carreira. Crítico de cinema no jornal O Estado de S. Paulo, fez questão de mencionar as diferenças temporais e estruturais dos jornais, dos estudos e acesso ao mundo da Sétima Arte. Dentre as várias perspectivas tratadas pelo jornalista, pode-se destacar a questão do insight de ver, por exemplo, política em filme western, e do contexto artístico e cultural para eleger “Ratatouille”o melhor filme de 2007.

Ainda ocorreu um debate que durou cerca de 40 minutos, que tratou de questões acadêmicas e tecnológicas até leis de incentivo à área.

Indubitavelmente um evento de grande interesse aos aspirantes à jornalismo e, principalmente, aos que almejam ingressar na área cultural.

Parabéns ao Fórum das Letras e à Revista Cult pela produção.

Texto por Felipe Bianchi.

Foto por Tábata Romero.

Published in: on 9 novembro, 2008 at 8:59 pm  Comments (3)  

Café, livros e cultura: Salão Sabará

   A acessibilidade a livros e revistas de qualidade, proporcionada pelo Fórum das Letras, deixa explícita a vontade de se expandir a cultura para o público participante do Fórum.

Além das palestras ministradas por conhecedores da literatura, há estandes de livros dos palestrantes e de outros autores renomados e também a distribuição da revista Cult.

 Num ambiente informal e descontraído, onde é possível tomar um café, assistir a palestra por um telão e ler livros, o público se sente acolhido e absorve mais facilmente tudo o que o Fórum propõe. Enfim, a cultura aflora nas mentes e o grande objetivo do Fórum é atingido.

Texto por Lorena Caminhas e Rodolfo Ribeiro

Foto por Júlia Abrão

Salão Sabará, Centro de Convenções

Salão Sabará, Centro de Convenções

Published in: on 9 novembro, 2008 at 5:47 pm  Comments (1)