TV Ufop: Boletins em vídeo

Confira abaixo os vídeos produzidos pela TV Ufop, através do CPPA (Centro de Produção e Pesquisa Audiovisual).

BOLETIM 1

BOLETIM 2

BOLETIM 3

BOLETIM 4

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 10 novembro, 2008 at 5:52 pm  Deixe um comentário  

Desvios funcionais

Parafraseando Rubem Alves, que demonstrou sua paixão pelas palavras no Fórum das Letras, o professor tem como dever burlar a burocracia, por ser com os alunos o seu compromisso essencial e funcional, não com os burocratas.

No mesmo dia que o escritor expressou sua opinião, presenciei uma situação que me fez pensar sobre movimentos artísticos e suas relações com a burocracia.

Ao final de um cortejo que exaltava diferentes batuques brasileiros, encontrava-se um palco onde a arte iria – ou deveria- se manifestar. A poesia se manifestou com eloqüência e combinações contemporâneas, porém a música foi barrada pela burocracia.

Frente ao prédio desenhado por Oscar Niemeyer, comunista confesso e conhecido por seu caráter artístico inovador, a arte foi vencida pela burocracia. Com a ajuda de leis e do órgão de segurança pública, os hóspedes do hotel, desenhado por Niemeyer, conseguiram calar a arte e dormir no mesmo silêncio em que dormem todos os dias de sua vida corriqueira.

Assim como o professor, a meu ver, o artista tem o dever de burlar a burocracia, por ter compromisso com a sociedade, não com os burocratas.

Passamos por um período decadente da educação no Brasil. Os professores foram transformados em funções mecânicas que seguem horários e mandamentos inúteis para a boa educação, assim como um operário que bate cartão e aperta o mesmo botão o dia todo. A instituição educacional no Brasil (talvez no mundo) se transformou em uma rede que se assemelha a uma empresa sem compromissos com a sociedade (os alunos, no caso).

A arte, quando submetida à burocracia, caminha para a mesma inversão de valores. No contexto atual, só consigo esperar uma reação dos artistas para libertar a arte de mandamentos absolutos e mesquinhos, pois, infelizmente, nós, apreciadores, só lutamos da boca pra fora.

Raísa Geribello

Published in: on 10 novembro, 2008 at 3:28 pm  Comments (2)  

Desvendandos mistérios?

Domingo, 9 de novembro de 2008

Luis Alberto Brandão e João Gilberto Noll

Luis Alberto Brandão e João Gilberto Noll

“Os mistérios não gostam de ser nomeados”

O autor João Gilberto Noll, vencedor do Prêmio Jabuti por cinco vezes, envolto em um clima de suspense, leu trecho de seu livro “Acenos e Afagos” logo no início de sua palestra que começou às 15h do dia de hoje. O romance escrito em primeira pessoa conta a história de um homem que abandona sua vida monótona em busca de prazer e auto-reconhecimento. O que sustenta a narração não é a história que o personagem principal vive, mas a dilaceração física e emocional que nela se inserem.
O livro de mais de 200 páginas é escrito em um único parágrafo, como se fosse a libertação de um grito, a ânsia de dizer, de uma vez só, sobre ele, sobre o outro, sobre a vida e a morte.
O mediador da conversa, Luís Alberto Brandão, autor de Chuva de Letras, Saber de pedra – o livro das estátuas e Tablados – livro de livros, mostrou-se um grande conhecedor da obra de Noll durante a conversa. Abordou aspectos interessantes e conduziu a palestra de maneira inteligente.
Percebemos que os mistérios realmente não gostam de ser nomeados e quando são, deixam de ser mistérios. Então, nos deixamos envolver por este, entre tantos outros presentes no Fórum das Letras e, enfim, entendemos que mistérios não existem para serem desvendados.

Texto por Júlia Abrão

Foto por Tábata Romero

Published in: on 10 novembro, 2008 at 11:46 am  Comments (1)  

Silêncio, a poesia quer falar!

Domingo, 9 de Novembro.

 

Os cinco palestrantes ocuparam seus lugares. Um silêncio. Seria um problema no som?Após um minuto, o mediador Sérgio Fantini anuncia: o minuto de silêncio foi uma homenagem à poesia.

Quebrado o silêncio, a poesia tomou o lugar. Os portugueses Jorge Melícias e Luís Seguilha, o africano Nelson Saúte e os brasileiros Nicolas Behr e Chacal declamaram seus poemas e introduziram um interessante ponto de vista sobre a poesia.

“A poesia é o silêncio da palavra.”, iniciou Chacal. “Uma poesia não busca ser outro tipo de coisa que não seja ser uma poesia. A poesia é aquilo que é”. Behr complementou: “ O silêncio é o ruído da poesia.” Contudo, para Saúte, o silêncio é o contrário da poesia. “ A poesia é o barulho do mundo.”, contrapôs o poeta. Opinião não compartilhada por Melícias, “Na minha poesia, o silêncio funciona como um horizonte da vida do poeta.” Para Luís Sevilha, o poema traduz as “correntes silenciosas” da Terra.  Chegando a uma conclusão, o silêncio pode representar tudo ou nada. Pode dar a musicalidade, o efeito, ser o tema. È permitido, assim como tudo na poesia, ser interpretado de diversas formas.

Saúte pegou o microfone e relatou que a poesia representa para ele a musicalidade, a dança, a metalinguagem. Ele revelou ter um receio por poetas apocalípticos, que se preocupam apenas com seu caos e esquecem de viver a vida. “Mas não tenho nada contra!”, acrescentou ao observar a reação de Melícias. “Um leitor merece mais que uma coisa direta. Essa coisa de poeta sibilino (compreensão mais subjetiva) versus poeta simples não pode ser tão taxativa. A linguagem deve causar diversos sentidos, alcançados por vias simples ou com um pouco mais de aprofundamento.” Seguilha opinou: “um poeta não fala em nome de ninguém e não pertence a nada. O silêncio é indefinível, assim como poema.” A verdade é que o poeta, assim como nós, são feitos por oposição e têm várias pessoas dentro dele.

Behr interpôs,falando que a sua poesia era de linguagem fácil. Ele optou por isso. “ A flor de Pequim é muitas vezes usadas em poemas como esse.”, prova disso é esse poema por ele citado. Percebe? Sente? Então é bom.

E assim chegou ao fim o Fórum das Letras, que contou com a participação de cerca de 80 autores e jornalistas convidados, mais de 15000 participantes e 3500 crianças. Guiomar, a Coordenadora Geral, fez o encerramento e agradeceu a toda equipe que trabalhou no Fórum. E avisou: “o Fórum não precisa mais de mim, e isso é bom. 2009 tem mais. Vida longa ao Fórum das Letras.”

postado por Luiza Lourenço

Colaborou Douglas Gomides

 

Published in: on 10 novembro, 2008 at 1:29 am  Deixe um comentário