Desvendandos mistérios?

Domingo, 9 de novembro de 2008

Luis Alberto Brandão e João Gilberto Noll

Luis Alberto Brandão e João Gilberto Noll

“Os mistérios não gostam de ser nomeados”

O autor João Gilberto Noll, vencedor do Prêmio Jabuti por cinco vezes, envolto em um clima de suspense, leu trecho de seu livro “Acenos e Afagos” logo no início de sua palestra que começou às 15h do dia de hoje. O romance escrito em primeira pessoa conta a história de um homem que abandona sua vida monótona em busca de prazer e auto-reconhecimento. O que sustenta a narração não é a história que o personagem principal vive, mas a dilaceração física e emocional que nela se inserem.
O livro de mais de 200 páginas é escrito em um único parágrafo, como se fosse a libertação de um grito, a ânsia de dizer, de uma vez só, sobre ele, sobre o outro, sobre a vida e a morte.
O mediador da conversa, Luís Alberto Brandão, autor de Chuva de Letras, Saber de pedra – o livro das estátuas e Tablados – livro de livros, mostrou-se um grande conhecedor da obra de Noll durante a conversa. Abordou aspectos interessantes e conduziu a palestra de maneira inteligente.
Percebemos que os mistérios realmente não gostam de ser nomeados e quando são, deixam de ser mistérios. Então, nos deixamos envolver por este, entre tantos outros presentes no Fórum das Letras e, enfim, entendemos que mistérios não existem para serem desvendados.

Texto por Júlia Abrão

Foto por Tábata Romero

Anúncios
Published in: on 10 novembro, 2008 at 11:46 am  Comments (1)  

Silêncio, a poesia quer falar!

Domingo, 9 de Novembro.

 

Os cinco palestrantes ocuparam seus lugares. Um silêncio. Seria um problema no som?Após um minuto, o mediador Sérgio Fantini anuncia: o minuto de silêncio foi uma homenagem à poesia.

Quebrado o silêncio, a poesia tomou o lugar. Os portugueses Jorge Melícias e Luís Seguilha, o africano Nelson Saúte e os brasileiros Nicolas Behr e Chacal declamaram seus poemas e introduziram um interessante ponto de vista sobre a poesia.

“A poesia é o silêncio da palavra.”, iniciou Chacal. “Uma poesia não busca ser outro tipo de coisa que não seja ser uma poesia. A poesia é aquilo que é”. Behr complementou: “ O silêncio é o ruído da poesia.” Contudo, para Saúte, o silêncio é o contrário da poesia. “ A poesia é o barulho do mundo.”, contrapôs o poeta. Opinião não compartilhada por Melícias, “Na minha poesia, o silêncio funciona como um horizonte da vida do poeta.” Para Luís Sevilha, o poema traduz as “correntes silenciosas” da Terra.  Chegando a uma conclusão, o silêncio pode representar tudo ou nada. Pode dar a musicalidade, o efeito, ser o tema. È permitido, assim como tudo na poesia, ser interpretado de diversas formas.

Saúte pegou o microfone e relatou que a poesia representa para ele a musicalidade, a dança, a metalinguagem. Ele revelou ter um receio por poetas apocalípticos, que se preocupam apenas com seu caos e esquecem de viver a vida. “Mas não tenho nada contra!”, acrescentou ao observar a reação de Melícias. “Um leitor merece mais que uma coisa direta. Essa coisa de poeta sibilino (compreensão mais subjetiva) versus poeta simples não pode ser tão taxativa. A linguagem deve causar diversos sentidos, alcançados por vias simples ou com um pouco mais de aprofundamento.” Seguilha opinou: “um poeta não fala em nome de ninguém e não pertence a nada. O silêncio é indefinível, assim como poema.” A verdade é que o poeta, assim como nós, são feitos por oposição e têm várias pessoas dentro dele.

Behr interpôs,falando que a sua poesia era de linguagem fácil. Ele optou por isso. “ A flor de Pequim é muitas vezes usadas em poemas como esse.”, prova disso é esse poema por ele citado. Percebe? Sente? Então é bom.

E assim chegou ao fim o Fórum das Letras, que contou com a participação de cerca de 80 autores e jornalistas convidados, mais de 15000 participantes e 3500 crianças. Guiomar, a Coordenadora Geral, fez o encerramento e agradeceu a toda equipe que trabalhou no Fórum. E avisou: “o Fórum não precisa mais de mim, e isso é bom. 2009 tem mais. Vida longa ao Fórum das Letras.”

postado por Luiza Lourenço

Colaborou Douglas Gomides

 

Published in: on 10 novembro, 2008 at 1:29 am  Deixe um comentário  

Seminario CULT de jornalismo

JotaBê Medeiros, João Paulo Cunha, Luiz Carlos Merten e Jerônimo Teixeira

JotaBê Medeiros, João Paulo Cunha, Luiz Carlos Merten e Jerônimo Teixeira

Quem se inscreveu e compareceu ao Seminário Cult de Jornalismo Cultural teve uma grande aula de Jornalismo sob a perspectiva profissional. O enfoque foi na área cultural desta profissão.

O evento aconteceu na Sala São João Del Rei, no Centro de Convenções e contou com a presença de nomes de peso: Luiz Carlos Merten, crítico de cinema n’O Estado de S. Paulo; Jerônimo Teixeira, crítico literário na Veja e Zero Hora; JotaBe Medeiros, crítico musical n’O Estado de S. Paulo e João Paulo Cunha, editor d’O Estado de Minas.

O programa foi dividido em critérios para elaborar uma pauta de cultura, crítica literária, crítica musical e crítica de cinema. Todos os debates vinham recheados de relatos pessoais dos palestrantes, no sentido de passar um pouco da experiência como jornalistas, além de tentar mostrar vieses e peculiaridades da área à quem pretende trabalhar nela, sendo importante destacar a grande presença de jovens no público presente.

João Paulo Cunha falou sobre como montar uma pauta cultural. Colocou que, a princípio, jornalismo e cultura podem parecer paradoxais, à medida que o jornalismo praticado pelos grandes veículos tem como marca o imediatismo da notícia e a objetividade (apontada por muitos como um mito). Entretanto, dá vantagem ao jornalista que trabalha com a área cultural por esse ter mais tempo para planejar e estudar o que, analiticamente, será publicado.

Cunha expôs diversos obstáculos ao jornalista, como a questão da pressão exercida pelas exigências do mercado e da dificuldade (a ser superada) que é equilibrar o que é considerado erudito e o que é popular, de modo a atingir o público tão diverso dos grandes jornais.

Jerônimo Teixeira, que faz crítica literária na Revista Veja e no jornal Zero Hora, falou mais especificamente de sua área. A importância de “fisgar” o leitor que está entretido com as matérias diversas de uma revista, por exemplo, e a necessidade se fazer um trabalho que provoque o leitor e, mesmo que o desagrade, ser uma referência. Finalizou falando que considera fundamental o profissional ter um certo ceticismo e lidar com o mercado de maneira a identificar tendências. Ainda se gabou de ter o privilégio de, como crítico literário, ter acesso à diferentes obras e poder conhecer os mais diversos assuntos.

Jotabê, crítico musical n’O Estado de S. Paulo, se apresentou como crítico de rock e tratou de contextualizar o surgimento dessa vertente jornalística traçando paralelos com a própria história da música rock/pop no Brasil.

Abordou aspectos como a superação da informalidade típica do “fanzineiro” de rock e a adequação à crítica jornalística, o conhecimento amplo que deve-se ter da arte em geral, a necessidade de fazer correlações rápidas e a compreensão de que música não é só acordes.

Ainda falou na mudança radical ocasionada pelo ruir repentino do império fonográfico, que viu seu espaço tomado pelo MP3. Dos discos conceituais cada vez mais raros às alterações provocadas na própria maneira de fazer crítica à música, Jotabê carismaticamente fez os fãs de rock e de música em geral mais felizes nesse domingo, mesmo deixando claro que o jornalista dessa área não vive só de curtir bons shows.

Por último, falou o mais experiente da turma: Luiz Carlos Merten. Compartilhou sua vasta experiência na área com o público, contando diversos acontecimentos ao longo de sua carreira. Crítico de cinema no jornal O Estado de S. Paulo, fez questão de mencionar as diferenças temporais e estruturais dos jornais, dos estudos e acesso ao mundo da Sétima Arte. Dentre as várias perspectivas tratadas pelo jornalista, pode-se destacar a questão do insight de ver, por exemplo, política em filme western, e do contexto artístico e cultural para eleger “Ratatouille”o melhor filme de 2007.

Ainda ocorreu um debate que durou cerca de 40 minutos, que tratou de questões acadêmicas e tecnológicas até leis de incentivo à área.

Indubitavelmente um evento de grande interesse aos aspirantes à jornalismo e, principalmente, aos que almejam ingressar na área cultural.

Parabéns ao Fórum das Letras e à Revista Cult pela produção.

Texto por Felipe Bianchi.

Foto por Tábata Romero.

Published in: on 9 novembro, 2008 at 8:59 pm  Comments (3)  

A vida e a morte na palma da mão

Em “onde pulsa o segredo do conto”, João Corracoza, escritor, profesor e redator de propaganda, define o conto como um arbusto, onde a memória coletiva e pessoal, caracterizadas pela vivência de cada autor, emcaminha as surpresa e impactos que podem ser observadas pelos leitores. Tais objetos são como ramos ou pequenos animais, que aparecem no arbusto apenas para o espectador atento. O escritor de contos Eric Nepomuceno, defende a memória como matéria-prima de qualquer obra literária, e propõe a imaginação como ferramenta de criação. Afirma que literatura é partir de um dado real, com adições de elementos fictícios, destinados a impactar o leitor, causando emoções diferentes em cada um, a partir da experiência de mundo que tenham apreendido. Já Jerônimo Teixeira, Jornalista e mestre em comunicação, acredita que pode-se escrever sobre o que não foi vivido, basta apenas ter vivênciado. Argumenta que as pessoas ao redor, desde familiares até estranhos das ruas, inserem experiências e divergências ao logo de nossas vidas.

A conversa ainda remete a influência que a figura paterna possui na obra de cada autor, partindo da perpectiva do simples incentivo diário de um pai, e seguindo até o maior elo entro ambos, a convivência.

O último tópico abordado é a incomunicabilidade comum aos textos de Corracoza, Nepomuceno e Teixeira, principamente sob a forma de silêncios e ocultamentos. Destacam que muitas vezes um autor é interpretado de modo diferente de sua intencionalidade, e outras vezes o desfecho de uma obra simplesmente não é passível de interpretação, uma vez que o autor intenciona o impacto pelo vazio.

O que ficou claro ao longo do debate, foi o fato do escritor não ter controle sobre sua obra após a mesma ser publicada. Ou seja, a interpretação funciona como conseguinte de cada individuo. Um final singular, pode muito bem remeter a uma pluralidade de significados.

Texto por: Enrico Mencarelli.

Published in: on 8 novembro, 2008 at 9:57 pm  Comments (1)  

Mistério noir

Na tarde de sábado, ocorreu uma conversa entre os escritores Francisco José Viegas, Lourenço Mutarelli e Marçal Aquino, na qual o assunto discutido foi “Quais as estratégias de captura da atenção do leitor no romance noir?”. O romance noir é um outro nome dado ao romance policial,o qual foi muito descriminado pela elite cultural desde a sua criação.

A primeira pergunta aprensentada pelo mediador Alécio Cunha, também escritor, foi a respeito da estratégia que os autores utilizam para seduzirem seus leitores. Aquino disse que, em suas obras, ele simplesmente escreve aquilo que gostaria de ler, “Eu tento me alegrar como leitor”. Já Mutarelli expôs sua preocupação com a cadência na sua escrita. Viegas, por sua vez, disse que usa sim alguns truques, “Já que tenho insônia, quero provocar a insônia do meu leitor”.

O assunto colocado em pauta logo em seguida foi a diferença da literatura convencional e a literatura policial. Nesse quesito, os três tiveram opiniões divergentes. Viegas logo se caracterizou como um escritor do ramo “policial”, já Lourenço não acha que se enquadra em nenhum dos dois estilos. “Eu não ligo para rótulos”, disse Aquino mostrando concordar com a opinião do colega.

Na seqüência, os autores explicaram a dificuldade encontrada em transformar o assassinato em uma obra de arte. Segundo eles, nos dias de hoje, a ficção é a cada dia superado pela barbárie da vida real.

Quando abordaram a relação entre o cinema e o romance noir, viu-se uma tremenda aproximação entre essas duas vertentes. As palavras ditas por Lourenço Mutarelli, resumiram esse pensamento, “O livro é sempre um filme na cabeça de quem está escrevendo”, inclusive ele foi ator em um dos seus textos que viraram filmes.Aquino também tem uma ligação intrínseca com o Cinema, sendo roteirista de alguns filmes, dentre eles “O Invasor”, dirigido pelo paulista Beto Brant.

Outro tema discutido entre os palestrantes foi o mistério, principal elemento do Fórum das Letras 2008. Nenhum dos escritores soube ao certo definir a palavra, porém tentaram. “O mistério é aquela relação que todos nós temos com o desconhecido”, citou Viegas.

Após isso, foram abertas as perguntas para o público, que questionava diretamente sobre as obras de cada autor.Diversas indagações foram feitas e respondidas com uma imensa desenvoltura. Para finalizar, cada um dos autores leu um pedaço de algum livro de sua autoria e foram aplaudidos incessantemente pela platéia.

Texto por Douglas Gomides

Published in: on 8 novembro, 2008 at 8:52 pm  Deixe um comentário  

No meio do Fórum tinham as letrinhas…

pic_01381“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho. ” Carlos Drummond de Andrade

Um problema, um obstáculo. Uma pedra no caminho? Para Carlos Drummond de Andrade, um desafio que virou poema.

Há 80 anos, a criação de Drummond transformou o significado de uma simples pedra. Hoje, para o Fórum das Letrinhas, ela virou arte.

Eram 14h30 quando as crianças se sentaram na Praça Tiradentes para comemorar o aniversário do poema de Drummond. Com papel, tinta e pedrinhas nas mãos, a criatividade que aparecia na garotada rolava solta. Um inocente e interessante ponto de vista do poema surgia a cada pincelada.

Com o fim da atividade se viu também o fim do Fórum das Letrinhas. Um Fórum que fez muito mais que apresentar o mundo das letras às crianças. Colocou-as como personagens principais do desvendar das letras. Afinal, grandes obras literárias são também coisas de gente pequena.

Confira em https://palavrasemrede.wordpress.com/category/variedades/

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luana Viana.

Published in: on 8 novembro, 2008 at 8:33 pm  Comments (2)  

“Cozinhando” sobre crônica

Marcia Tiburi, Manoel da Costa Pinto, Alberto Villas, Antônio Carlos Gaio e Luis Giffoni

Marcia Tiburi, Manoel da Costa Pinto, Alberto Villas, Antônio Carlos Gaio e Luis Giffoni

Sábado, 8 de novembro de 2008

      A boa crônica tem receita?

       A conversa inicia, às 14h30min, tentando responder essa pergunta, suscitada pela mediadora Marcia Tiburi. As respostas são muito diversas. Luís Giffoni começa dizendo que crônica pode ser tudo. “É o primeiro contato que o leitor tem com o jornal pela manhã. Não existe receita fixa, cada um faz a sua.”- disse ele.
        Já Antônio Carlos Gaio compara a crônica aos curtas-metragens, pois os dois são rápidos e dissecam o assunto de forma sucinta para atingir o leitor. Ele aborda também a questão da ligação entre quem lê e quem escreve, dizendo que o leitor precisa conversar com o cronista enquanto aprecia sua obra.
     Segundo Alberto Villas, o autor de crônicas possui um espaço sem pauta para escrever e traz ao leitor um momento de lazer entre tantas notícias negativas contidas em jornais e revistas. Para ele, nunca se escreveu tanta crônica como hoje, o que o leva a crer que este é um gênero em expansão.
     Manuel da Costa Pinto, o único da mesa a não escrever crônicas, disse que estas compõem um gênero autenticamente brasileiro, pautado no deboche e na auto-ironia. Ele acredita que as crônicas são uma contribuição do Brasil para os gêneros literários.
     Marcia Tiburi disse que precisamos duvidar sempre dessa pergunta e definiu o cronista como um sujeito altamente atento, que tem como foco o cotidiano e que trabalha o seu próprio olhar.  O autor, para ela, funde particular e universal, sempre se colocando como alguém fora da realidade.
      Depois, Tiburi pede para que os convidados sejam um pouco “profetas” perguntando se eles acreditam que um dia a crônica vai acabar. Para Villas, as pessoas estão cada vez mais  observadoras e ávidas por contar boas histórias, o que faz com que a crônica não acabe nunca. Ginoffi concorda. Ele diz que a crônica nunca vai deixar de contas fatos, que ela se encontra na filosofia atrás das pessoas.
      Gaio lembra que já decretaram o fim de várias coisas que nunca acabaram, como o vinil e o cinema. Ele sintetiza dizendo que enquanto houver a necessidade de dialogar a crônica existirá.
     E afinal, há ou não uma receita?
   Talvez não. Porém, uma dose de sedução, uma pitada de ironia, uma porção de informação e um toque de humor, escritos em caráter testemunhal, com certeza são os melhores ingredientes para a construção desse gênero tão popular no Brasil.

Texto pot Júlia Abrão

Foto por Luiza Lourenço

Published in: on 8 novembro, 2008 at 7:56 pm  Comments (2)  

Leituras filosóficas, poéticas e musicais na Igreja São Francisco de Assis

Um céu nublado, um dia quente e a Igreja São Francisco de Assis lotada. Foi esse o cenário da programação do Fórum das Letras nessa manhã de sábado.

Leitura da Igreja São Francisco de Assis
Guiomar de Grammont e Maurício Monteiro fizeram uma leitura da Igreja São Francisco de Assis, considerada uma das maiores obras do Barroco Mineiro.
Grammont nos ofereceu uma abordagem completa do contexto cultural em que a Igreja foi idealizada e construída. Detalhou e relacionou os contextos sociais, culturais e econômicos da época colonial, proporcionando uma compreensão de signos além da apreciação puramente visual da arte ali representada.
Já Monteiro apontou inúmeros signos implícitos nas pinturas de Manuel da Costa Ataíde e na arquitetura de Aleijadinho. Palavras, símbolos e objetos que, à primeira vista, passam despretensiosos pela nossa vista, foram analisados de maneira desmistificadora.

Música na Igreja São Francisco de Assis

A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais se apresentou à frente dos altares da Igreja, num espetáculo maravilhoso revestido com a magia da música e da história.
Fabio Mechetti, diretor musical e regente, anunciou o programa musical como um traço entre o Barroco Mineiro e o Classicismo Europeu. Compuseram o programa obras de Johann Sebastian Bach e Wolfgang Amadeus Mozart.
A Orquestra, composta por mais de 65 músicos, se apresentou com um número menor de músicos devido o espaço reduzido da Igreja, porém esses, sem dúvida, realizaram um espetáculo que encantou os presentes.

A Orquestra na Igreja. Foto por Felipe Bianchi.

A Orquestra na Igreja. Foto por Felipe Bianchi.

Performance poética no adro da Igreja São Francisco de Assis
Ao fim da apresentação musical, ouvia-se vozes a declamar entusiasmadamente poesias. Tratava-se do grupo Antiatro Experimentos Cênicos. Palavras que se encontravam no ar, papéis arremessados aos ventos e um acompanhamento musical com um pé no jazz e outro em música tribal foram os componentes da atuação impecável do grupo de seis ou sete artistas vestidos de preto e vermelho e com os olhos semi-vendados.
O verso mais marcante foi declamado em uníssono: “Vila Rica de outro Preto”, seguido de menções à exploração do ouro na região.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 8 novembro, 2008 at 7:49 pm  Deixe um comentário  

A poesia é irmã gêmea da magia

Sexta-feira, 7 de novembro de 2008.

19h00

Rubem Alves e Elisa Lucinda
Rubem Alves e Elisa Lucinda

Emocionante. Essa é a palavra que mais define o encontro dessa noite.

Rubem Alves, poeta, escritor e professor de filosofia da Unicamp, e Elisa Lucinda, jornalista, poetisa e amante das artes, se apresentaram num delicioso encontro. Eu, francamente, não saberia redigir esse texto de outra maneira que não fosse carregado de toda a emoção que senti ao longo dessa conversa.

O título da mesa literária carrega o nome do livro de poesia recém-lançado pelos dois convidados: “Poesia do encontro”. Elisa Lucinda, com toda sua efusão e seus mais ou menos 20 livros na mesinha de vidro ao lado, soube levar essa conversa carregada de toda a emoção que se possa imaginar. A autora diz que ao declamar uma poesia, sente uma oscilação em seus batimentos cardíacos, uma sede, uma vontade de incorporar, de viver a poesia. Como diz Rubem Alves, encontra seu “estado de possessão”.

A poesia por Lucinda é calma e veloz, é frágil e feroz. Tem um balanço, uma entonação, um volume que vai do mais alto e gritante até o mais mansinho que já se viu. Lucinda domou o público, num resultado dotado de muitas risadas, muita emoção e – por que não? – lágrimas.

Rubem Alves citou alguns trechos de poemas com tanta sensibilidade e virtude que jamais presenciei antes. O poeta diz que a emoção que ele monta suas poesias rebate no olhar do público, e este não sabe se ri ou se chora. “A poesia nos ensina a ver”, diz.

A todo o instante, a pele se arrepiava, o coração batia diferente e as lágrimas escorriam sem que se percebesse. Era a poesia domando o ser, invadindo sua alma e se alojando lá, quietinha, quietinha… mas muda, jamais.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 8 novembro, 2008 at 3:10 am  Comments (1)  

Bebendo em verso e prosa

Sexta-feira, 7 de Novembro

Cor de fubá
Cor de fubá

O que esperar de uma noite de sexta? Bebida? E se ela vier dentro de poesia?

Foi esse o alvo do Grande Cortejo, que começou às 21h e partiu do Chafariz do Cinema ao Chafariz do Rosário. O garçom da noite foi Geuder Martins, que servia as poesias ao som do grupo Cor de Fubá, uma perfeita e harmoniosa junção de estudantes da UFOP de Filosofia, Música e Artes Cênicas.

E como o cliente sempre tem razão, o público pôde interagir e colocar um pouco de sua poesia na bandeja.

“É a hora da embriaguez ! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar ! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.”
Esse é um poema de Charles Beaudelaire declamado por Geuder Martins.

postado porLuiza Lourenço, com a colaboração de Luana Viana.

foto por Luiza Lourenço

Published in: on 7 novembro, 2008 at 10:26 pm  Comments (2)  

O desgaste do original através do tempo

Sexta-feira, 7 de novembro de 2008.

16h30

Enrico Mencarelli

Foto:Enrico Mencarelli

O tempo e a originalidade entram em atrito na discussão sobre “os livros que não existem mais”, por Jacyntho Lins Brandão e Roger Chartier, com mediação de Maria Clara Versiani Galery.

Jacyntho Lins Brandão é escritor e professor de grego na UFMG, e em sua conversa afirma a importância dos documentos e fragmentos históricos na formação da memória humana. A perda de tais objetos possui significativa ruptura em determinado espaço de tempo. O escritor ainda aborda a diminuição da originalidade de uma obra diante do tempo, versões e traduções, uma vez que o contexto de uma época muda a medida que a linguagem evolui, ocasionando a necessidade de massificação do conteúdo. Ou seja, o alto volume de reedições causa divergências entre o original e as inúmeras copias.

A mediadora Maria Clara Versiani Galery, professora de letras na UFOP, atua como elo contextualizador entre as a apresentações, e conduz para que Roger Chatier, professor francês e especialista em História das Práticas Culturais e História da Leitura, inicie a elaboração de seu tema.

Chartier destaca as mudanças significativas que a alteração de formatos de apresentação, como convergir um livro em uma peça teatral, causa na intencionalidade inicial do autor. O escritor exemplifica através de Shakespeare e Miguel de Cervantes, autores de teatro e romance, respectivamente. O primeiro obteve traduções de peças para livros, enquanto Cervantes recebeu obras transcritas em versões teatrais.

A preocupação com a manutenção dos valores de obra de arte e conservação do conteúdo original como instrumento da memória, se mantiveram com importantes inferências durante o diálogo.

Texto por Enrico Mencarelli, colaboração por Douglas Gomides

Published in: on 7 novembro, 2008 at 9:03 pm  Comments (1)  

Há chave para a construção do Romance?

Quem esperava uma resposta simples, teve a oportunidade de ampliar os horizontes quanto às questões que permeiam a construção do Romance.

Um debate que trouxe muitos exemplos práticos e diversos estilos individuais no que tange à construção do Romance.

Compuseram a mesa Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves, João Batista Melo e Maria Esther Maciel. A mediação ficou por conta de Almir de Freitas. Um “cast” de excelentes escritores, sem dúvidas. E o melhor (ao menos para o tema proposto), todos discutiram suas características individuais no processo de criação do Romance.

Os temas abordados foram desde a influência das experiências subjetivas na criação dos personagens até o planejamento da história em si.

João Batista Melo, por exemplo, afirmou não criar nenhum personagem totalmente terminado. Ana Maria Gonçalves, por outro lado, faz um detalhamento sofisticadíssimo de suas personagens: cerca de dez páginas para catalogar todas as facetas de uma única personagem.

Por esses e tantos outros vieses, a discussão se desenrolou num tom agradável, e em alguns pontos se mostrou bem didática (embora não tenha se prendido ao campo teórico/técnico). O público presente teve a oportunidade de colher depoimentos ricos de autores e, a partir desses elementos, seguirem na busca da chave da construção do Romance.

Almir de Freitas, Maria Esther Maciel, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves e João Batista Melo. Foto por Simião Castro.

Da esq. para a dir.: Almir de Freitas, Maria Esther Maciel, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves e João Batista Melo. Foto por Simião Castro.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 6:00 pm  Comments (2)  

Um Brasil inventado…

Sexta-feira, dia 7 de novembro de 2008

Abrindo as apresentações do dia, tivemos Literatura em Cena no Centro de Convenções. Uma conversa muito elucidativa sobre os 200 anos da chegada da Corte portuguesa no Brasil foi estabelecida entre os convidados do evento e todo o público. Compunham a mesa: Angelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto, Laurentino Gomes e Fuad Yazbeck, escritores e Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil. A mediação foi feita por Guiomar de Grammont, escritora, dramaturga e diretora do Instituto de Filosofia Artes e Cultura da UFOP.

Agora convido você, leitor, a embarcar em um universo composto por ficção e história que permeou todo o debate.

 dsc007222

    Guiomar de Grammont, Fuad Yazbeck, Francisco Seixas

    da Costa, Laurentino Gomes e Angelo Oswaldo

“1808- A invenção do Brasil”

           Se quando lhe perguntam a idade do Brasil você responde “500 anos” sem pestanejar, saiba que essa resposta pode ser contestada. Segundo o jornalista Laurentino Gomes, escritor do livro 1808, o Brasil nasceu apenas há 200 anos quando Dom João VI fugiu das tropas napoleônicas, deixando Lisboa para fazer do Rio de Janeiro a sede do Império. Gomes, que iniciou a palestra, contou também sobre o fato de Dom João ter “clonado” Portugal aqui no Brasil, deixando uma herança portuguesa muito perceptível em todo esse processo de invenção do nosso país.

        A seguir foi a vez de Fuad Yazbeck discorrer sobre o assunto. Ele disse que o Brasil, após ter sido encontrado por Portugal, foi ignorado até 1771. “Essa terra existe, é nossa, depois veremos o que fazer com ela.”- assim se estabelecia o pensamento português.

      Já Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil, abordou como a questão da vinda da Corte para cá sempre foi muito controversa. Ele disse que Portugal busca esquecer esse período, pois acredita que este seja vergonhoso. Sobre a abertura dos portos, para o embaixador, Dom João “assinou a sentença de morte do imperialismo português”.

      Tivemos a oportunidade também de ouvir muitos comentários de Angelo Oswaldo, jornalista e prefeito de Ouro Preto.

      Em seguida, a palestra foi aberta a para a participação do público, tanto para perguntas, quanto para comentários. Primeiramente, Guiomar de Grammont perguntou para Fuad Yazbeck e Laurentino Gomes como é se valer da história para fazer um romance.

      Yazbeck respondeu: “Minha idéia não foi mais do que uma revivência infantil de escrever um livro de aventuras. Havia também a idéia de trabalhar com um fato tão marcante como a história do Brasil. Quando se pretende a construção de uma personagem ficcional em um ambiente histórico real, existe uma grande dificuldade: representar uma personagem no contexto histórico da época, principalmente pela perspectiva do comportamento.”

     Laurentino, entretanto, disse que seu livro não é de ficção. Trata-se de um livro histórico, porém com uma linguagem literária, até para que ele seja compreensível para as pessoas mais leigas.

      Ouvimos o emocionante depoimento de Efigênia, uma moradora de Ouro Preto que diz ser de grande importância iniciativas como o Fórum das Letras, onde são oferecidos eventos culturais gratuitos.

        (veja a entrevista completa em Entrevistas)

 

      Encerro, enfim, com a magia de Machado de Assis, descrevendo, de maneira singular, a relação entre o ficcional e o histórico tão presente nessa significativa conversa.

   “Um contador de histórias é justamente o contrário de historiador, não sendo um historiador, afinal de contas, mais do que um contador de histórias. Porque essa diferença? Simples, leitor, nada mais simples.O historiador foi inventado por ti, homem culto, letrado, humanista; o contador de histórias foi inventado pelo povo, que nunca leu Tito Lívio, e entende que contar o que se passou é só fantasiar.”

– trecho lido pela professora Marli Fantini.

 Texto por Júlia Abrão

 

 Foto por Júlia Abrão

Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:29 pm  Comments (2)  

Mais letrinhas…

Sexta-feira, dia 07 de novembro

E a Casa da Ópera se encontrou cheia mais uma vez. Nada mais que justo uma homenagem ao convidado do terceiro dia do Fórum das Letrinhas, Rubem Alves.

Rubem Alves no Fórum das Letrinhas

Rubem Alves no Fórum das Letrinhas

Antes do Bate-papo com o público, o escritor assistiu a uma adaptação para teatro de seu livro “A Casa” , apresentada pela Companhia Atrás de Teatro.

Rodeado por crianças, o ambiente não lhe era estranho. “As crianças são honestas e minhas amigas” disse Rubem Alves, revelando sua consideração por elas, quando trocou a poltrona pelo chão do palco. Foi dali que ele contou um pouco da sua história de vida, relacionando-a com suas criações.

Livros como “O Patinho que Não Aprendeu a Voar”, “A Menina e o Pássaro Encantado”, ” A Árvore e a Aranha” são resultados de experiências de sua própria vida, que transcritas para a linguagem infantil trazem novas visôes e reflexões para quem os lê.

“Grande é a poesia, a bondade e as danças. Mas a melhor coisa do mundo são as crianças.”  Citando Fernando Pessoa, Rubem Alves sintetiza o valor em cultivar a literatura nos que estão apenas começando a criar.

Leia o conto “O Passarinho Engaiolado” em https://palavrasemrede.wordpress.com/category/variedades/

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luiza Lourenço.

Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:03 pm  Deixe um comentário  

Quem veio primeiro… a letra ou a música?

Quinta-feira, 6 de novembro de 2008.

Um encontro majestoso.

Sob o enunciado “O mistério do encontro entre Letra e Música”, um excelente trio ditou o ritmo no Centro de Convenções. Pasquale Cipro Neto, Fernando Brant e Celso Adolfo, com a mediação de Jorge Fernando dos Santos, realizaram um encontro agradável e divertido. A missão: analisar a questão nem sempre simétrica do equilíbrio entre semântica, fonética e musicalidade. O resultado?

"Os mistérios do encontro entre Letra e Música". Foto por Felipe Bianchi

A intimidade de Celso Adolfo e Fernando Brant com Milton Nascimento foi lembrada em várias ocasiões, como nos exemplos de composição lírica e musical em conjunto com o renomado artista. Celso Adolfo fez questão de dizer que raramente compõe a letra antes da música. Quando o faz, trata de preparar uma letra com métrica irretocável, visando a fluidez na fusão dos elementos que comporão a música.

Pasquale falou de sua relação com o tema da palestra. Desde suas primeiras aulas ministradas (lembra que começou a dar aulas em 1975) utilizou exemplos musicais para ilustração gramatical. Declarou ser amante da boa música, em especial da Música Popular Brasileira, e revelou, em tom irreverente, ser sua casa um verdadeiro centro de audição de discos.

No meio de tanta conversa, uma linda apresentação musical de Celso Adolfo e Fernando Brant trouxe ares renovadores para o Fórum das Letras. A melodia se espalhou pelo ar e o lirismo tomou conta dos presentes.

Uma palestra e tanto.

Uma sinfonia impecável, regida perfeitamente, com instrumentistas de alto escalão.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 3:29 pm  Comments (1)  

Qual é a rima?

Quinta-feira, 07 de novembro.
Às 10h10, os alunos do 4° ano da Escola Municipal Monsenhor João Castilho Barbosa subiram a Rua Xavier da Veiga para adentrar o mundo da poesia e desvendar os mistérios da rima.

Não teria lugar melhor senão a Biblioteca Municipal de Ouro Preto para promover esse encontro, comandado por  José Santos e seu filho Jonas Matos, de 13 anos.

Apesar da pouca idade, Jonas demonstrou ter perfeita sintonia com a literatura, prova disso é sua participação na autoria do livro “A Casa do Franquis Tem”, em conjunto com seu pai.

Orientadas pelos escritores, a garotada propôs palavras que formaram as rimas do poema ” A bruxinha”. Após a Oficina, todo participante saiu se sentindo um pouco mais poeta.

foto por Luiza Lourenço

Poema criado na Oficina de Poesia.

postado por Luana Viana e Luiza Lourenço.

foto por Luiza Lourenço

Published in: on 7 novembro, 2008 at 1:20 pm  Deixe um comentário  

Mistérios Comentados – a mulher para Machado de Assis e Guimarães Rosa

Quinta-feira, 5 de novembro de 2008.


_img_85452

Elzira Perpétua, Márcia de Morais, Marli Fantini, Benjamin Abdala Junior e Audemaro Taranto Goulart

“Diadorim é minha neblina” – foi isso que Riobaldo, personagem de “Grande Sertão: Veredas” de Guimarães Rosa, disse relacionando a moça com sua capacidade de não enxergar, de não ver, de não viver. É exatamente essa neblina que simboliza o mistério intrínseco na personagem Diadorim, ao longo da obra de Guimarães Rosa.

Esse tema, juntamente com o mistério em relação ao adultério da personagem Capitu, na obra “Dom Casmurro” de Machado de Assis, foi desmembrado e amplamente questionado numa conversa com quatro importantes críticos literários dos tempos atuais: Marli Fantini, Benjamin Abdala Junior, Audemaro Taranto Goulart e Márcia de Morais, mediados por Elzira Perpétua.

A conversa, que inaugurou a tarde no Centro de Convenções de Ouro Preto, por volta das 14h30, tentou traçar um paralelo entre duas das mais importantes personagens femininas da literatura brasileira: Diadorim e Capitu. Os quatro participantes estabeleceram esse paralelo aproximando-as pelo mistério que se oculta nas névoas dos “olhos de ressaca” e no verde olhar cansado do sertão.

Márcia de Morais estabelece essa relação entre as duas personagens a partir de Diadorim, que se veste como um jagunço e passa a viver entre homens. O mistério que envolve o gênero sexual Diadorim, diz Márcia, é delicadamente decifrado com pequenas informações e muita atenção ao longo da leitura da obra, embora seja desvendado por completo apenas no grande final. A convidada diz também que o mistério da obra é o próprio olhar de Diadorim. “O mistério é verde e está no livro para ser desvendado”, diz ela.

Audemaro Goulart já estabelece essa relação com outros parâmetros. A fim de evitar considerações óbvias sobre o assunto, o convidado relacionou as personagens a partir do adultério e do homoerotismo – temas centrais dos dois romances. Audemaro decifra o tal enigma aplicando-o a uma desordem social, a uma descontrução de valores. Ambos os enredos das obras trazem uma forma de desestabilizar a ordem, visto que a admiração de Riobaldo por Diadorim é de caráter homossexual (mesmo Diadorim se apresentando mulher no final, Riobaldo se apaixonou por um homem) e que Capitu não estava completamente satisfeita com as relações sociais, demonstrando, assim, uma atitude de sabotagem ao modelo social dominante.

Marli Fantini fala sobre a fraqueza moral de Riobaldo e a dificuldade que o mesmo possui de enxergar quem realmente é Diadorim. Apaixonado, Riobaldo não se conforma quando se defronta com a morte da então recém-descoberta moça. Diz, então: “não escrevo, não falo, não é, não foi, não fica sendo”, a fim de não admitir sua morte. Para Riobaldo, se ele não assumisse a morte de Diadorim, ela não morreria.

O professor Benjamim Abdala termina dizendo ser a literatura de Machado de Assis uma forma de microcosmo da realidade social. Disse também que a causa do ciúme de Bentinho não era apenas Capitu, mas também seu amigo Escobar, pelo qual tinha imensa admiração.

Esse debate teve um importante encaixe como tema geral do Fórum das Letras 2008: “O mistério na literatura”. A articulação dos representantes e a abordagem bastante desmembrada das obras fez com que os ouvintes se interessassem bastante e participassem ativamente do bate-papo no final da apresentação.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 7 novembro, 2008 at 1:25 am  Deixe um comentário  

Arte e Mistério – Performace artística dos usuários da Saúde Mental de Ouro Preto

Quinta- feira, dia 06 de novembro de 2008

Sanidade Artística

saudemental

Usúario do CAPS – Foto por: Júlia Abrão

“Fabuloso”. Assim foi definido por Maira Goreti o projeto realizado pelo CAPS – Centro de Apoio Psicossocial, hoje às 10h, na cidade de Ouro Preto. Maira, formada em Artes Cênicas pela UFOP e que trabalha em direção teatral, contou-nos sobre o convite para expor e mostrar um pouco do trabalho do CAPS no Fórum das Letras. Ela disse que o projeto é promovido por Carlos Eduardo Nunes, artista plástico e gerente do CAPS. Segundo Maira, as pessoas atendidas no Centro conseguem se expressar muito além da maneira verbal ao mexer com pintura e desenho. Elas usam signos e altos graus de subjetividade para comunicarem-se através da arte. De uma forma muito atenciosa e disposta a ajudar, o Centro de Apoio Psicossocial tem um projeto includente e de grande importância para pessoas com problema de saúde mental. Sendo assim, a programação do Fórum se mostra diversificada e completa, pois abre espaço à iniciativas como essa.

maira-felipeeee1

Maira Goreti- Foto por: Felipe Bianchi

Texto por: Júlia Abrão e Felipe Bianchi

Published in: on 6 novembro, 2008 at 7:14 pm  Deixe um comentário  

As Letrinhas na Casa da Ópera

Quinta-feira, 06 de novembro de 2008.

foto por Luiza Lourenço

Thalita Rebouças e Léo Cunha

O 2º dia de apresentações fica marcado pela presença de Thalita Rebouças, jornalista e escritora de livros direcionados para o público infanto-juvenil e Léo Cunha, escritor e ilustrador mineiro, adepto da literatura infantil, e atualmente professor de Jornalismo Cultural da UNI-BH.

A abertura do evento contou com a apresentação de dois grupos regionais de teatro: a Companhia Pé da Letra e o Grupo Caça Palavras, que encenaram esquetes de obras dos autores presentes. Ambos os grupos são formados por alunos de Artes Cênicas da UFOP.

A Casa da Ópera, que já foi palco de importantes peças teatrais, se viu tomada por inúmeras crianças, ansiosas para conversar com os autores. Era evidente o interesse que possuíam pelos livros infantis, interesse medido nas perguntas que foram direcionadas à Thalita e Léo. Diante dos questionamentos, revelaram que são inspirados a criar pelo seu público alvo. A autora utiliza de sites de relacionamentos para conhecer e aproximar-se dos jovens, enquanto Léo brinca com o ludismo encontrado no relacionamento com sua filha.

Dentre as obras de Thalita, pode-se ressaltar “Fala sério, mãe!”, componente de uma série de livros com a mesma abordagem. Léo Cunha é ganhador do Prêmio Jabuti de Literatura Infantil e autor de mais de 30 livros, e entre estes “Era uma vez um reino muito sonolento” ocupa lugar de destaque, por ter surgido de histórias contadas por ele à sua filha.

O encerramento contou com uma sessão de autógrafos e distribuição de livros para a garotada, que saiu satisfeita com a tarde no teatro.

Texto por Luiza Lourenço e Enrico Mencarelli.

Foto por Luiza Lourenço.

Published in: on 6 novembro, 2008 at 5:06 pm  Deixe um comentário  

Conversa com Lobão e Nelson Motta

Quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Foto por Tábata Romero

Nelson Motta e Lobão

Por volta das quatro horas e meia da tarde, um envolvente encontro com Lobão (cantor, instrumentista e compositor) e Nelson Motta (jornalista, escritor e compositor) aconteceu no Centro de Convenções de Ouro Preto. A informalidade dessa apresentação, que funciona como um bate papo entre amigos, fica evidente quando Nelson Motta e Lobão introduzem a conversa citando Tim Maia, reconhecido por eles como o “primeiro músico independente no Brasil”, mostrando que há a possibilidade de ser independente e atingir o público. Lobão diz que a caretice do “politicamente correto”, do padrão aceitável, impede a espontaneidade dos criadores, os artistas.

Destacam que ser independente não é só o fato de um artista não possuir gravadora, mas todo um contexto de comportamento e personalidade que deve ser inserido sob este estigma. O independente seria o livre.

O tom de critica surge no momento em que se trata dos métodos adotados pelos artistas para veiculação de suas músicas: o jabá nas gravadoras. Comentam que o início da produção musical brasileira é marcado por corrupção através de contratos exploradores e abuso da imagem dos artistas.

A internet e toda abrangência proporcionada pela rede, é reconhecida pelos compositores como ”combustível do cenário independente”. A amplitude do tudo em qualquer lugar adicionada ao imaginário glamoroso do rádio causa o desabamento da hegemonia comercial atingida pelas gravadoras. Porém, ao mesmo tempo em que nunca se foi tão fácil gravar, se torna cada vez mais difícil alcançar o sucesso. A democratização do espaço, a popularização da produção tem como conseqüência a aparição dos ídolos regionais, que surgem para substituir a exacerbação dos ícones mundiais. O lucro não está mais presente na venda de CDs, já que downloads de músicas são mais fáceis e baratos, aumentando a valorização da apresentação ao vivo.

Defendem que tecnologia não é sinônimo de sucesso, e que o talento é insubstituível. O exibicionismo ocorrente devido à falsa imagem dos “15 minutos de fama” apresenta como resultado o acúmulo de pseudo-artistas, que em busca do sucesso, invadem os veículos de comunicação com produções muitas vezes mal realizadas e sem contribuição alguma. Apontam como estratégia o bom senso: saber ouvir, lidar bem com palpites e com o orgulho remete, quando existe talento, em resultados excelentes, que durante a conversa foram evidenciados como principal conquista de um artista.

Texto por Enrico Mencarelli

Foto por Tábata Romero

Published in: on 5 novembro, 2008 at 10:44 pm  Comments (2)