Luiz Ruffato: perspicácia e irreverência num bate-papo prazeroso

Luiz Ruffato é escritor e formado em Jornalismo. Escreveu, entre outras obras, “Eles eram muitos cavalos” e o projeto ainda inacabado “Inferno Provisório”. Conversou conosco na tarde de sexta-feira momentos antes de compor a mesa que discutiria “a chave da construção do Romance”. Na sala dos autores, no Centro de Convenções, Luiz Ruffato estava acompanhado de José Matos e Almir de Freitas, os quais participaram descompromissadamente da entrevista.
Além de traçar paralelos entre jornalismo e literatura, Luiz Ruffato falou sobre diversos assuntos em um ambiente mais que descontraído. Pautamos nossa entrevista em algo dito pelo escritor noutra oportunidade: “Quem escreve uma história se preocupa com o ‘como’, enquanto quem conta uma história se preocupa com o ‘que’”.

À primeira pergunta feita por nós, Luiz Ruffato tratou das relações entre jornalismo e literatura. Segundo Ruffato, os dois são imiscíveis – dentro do contexto mercadológico em que estão inseridos. Ainda nesse contexto, critica o “mito da objetividade” que a imprensa prega. O cruzamento do jornalismo com a literatura seria, para ele, algo como engenharia e jornalismo, ou medicina e literatura. Para ilustrar esse ponto de vista, Ruffato cita a diferença entre forma e conteúdo dos dois. “No jornalismo, a angústia entre forma e conteúdo é menor, pois se utiliza de uma linguagem menos rebuscada para atingir grandes audiências. Já na literatura, a composição forma e conteúdo exige a busca do equilíbrio”. No entanto, aproxima as duas áreas quando fala da disciplina que o jornalismo lhe deu na hora de escrever. Com ele não existe a história de “Ah, hoje estou sem inspiração para escrever”. Escreve todos os dias, das 8 da manhã até por volta de meio-dia, inspirado ou não. “A redação de um jornal é um caos: televisões ligadas, telefones tocando, barulho, correria… mas você tinha que trabalhar. Tinha que entregar matéria”.
Quanto ao trabalho do escritor, Luiz Ruffato prega que é preciso ter humildade para reconhecer que quem escreve é um mero intermediário entre a história e o receptor.
Nessa hora, Ruffato faz uma pausa para tomar um café. Muito divertido, nos faz sentirmos íntimos e confortáveis. Várias vezes interrompe a prosa para cumprimentar os companheiros que chegavam à sala. Falavam de futebol.
De volta à entrevista, o escritor fala algo que repetiria durante a palestra: a dificuldade em se tratar de gêneros no Século XXI. Citando o caso dos gêneros sexuais, que se permeiam cada vez mais de heterogeneidades, deixa em segundo plano a questão do gênero literário. Isso recai sobre a questão da construção do Romance que, segundo Ruffato, não tem receita, nem regras, nem arquitetura exata. Fala de dedicação no ato da escrita, condicionando o bom resultado no equilíbrio entre forma e conteúdo.

Luiz Ruffato com o Boletim Letra a Letras nas mãos. Foto por Felipe Bianchi.

Luiz Ruffato com o Boletim Letra a Letra nas mãos. Foto por Felipe Bianchi.

Entrevista por Felipe Bianchi, Simião Castro e Matheus Felipe Silva

Texto por Felipe Bianchi

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Published in: on 8 novembro, 2008 at 3:02 pm  Comments (1)  

Conversa com Daniel Bensaïd na Casa de Ópera

Sábado, 8 de novembro de 2008.
9h30

Nathalie, Daniel Bensaïd e Imaculada Kangussu

Nathalie, Daniel Bensaïd e Imaculada Kangussu

Inaugurando os eventos desse sábado, a Casa da Ópera recebeu o convidado Daniel Bensaïd, francês, filósofo, dirigente da Liga Comunista Revolucionária e professor de filosofia da Universidade de Paris VIII. A mesa literária contou, ainda, com a presença de Imaculada Kangussu, como mediadora, e Nathalie, como tradutora do convidado.

Esse encontro faz parte de um ciclo de palestras de lançamento do livro Os irredutíveis: teoremas da resistência para o tempo presente. No livro, Bensaïd coloca uma sucessão de teoremas sobre grandes questões que deveriam ser lidas com uma visão crítica à prova do presente. “A visão do futuro é apocalíptica e a visão do tempo se esbarra no presente”, diz. Os títulos dos teoremas são: “A política é irredutível à ética e à estética”, “A luta de classes é irredutível às identidades comunitárias”, “A dominação imperial não é solúvel nas beatitudes da globalização mercantil”, “Quaisquer que sejam as palavras para expressá-lo, o comunismo é irredutível às suas falsificações burocráticas” e “A dialética da razão é irredutível ao espelho quebrado da pós-modernidade”. Todos esses teoremas pretendem se opor ao culto pós-moderno da fragmentação, visto por ele que a totalidade é irredutível. Essa negação da totalidade remete a um medo cego de todo o projeto de transformação social.

Durante sua apresentação, Bensaïd relacionou diversos assuntos com seu livro, como o comunismo em contraposição ao capitalismo, a violência vista como fruto do capitalismo moderno, a privatização e um suposto desaparecimento da política. O palestrante informa também que o momento oblíquo pelo qual a sociedade passa hoje em dia acaba por questionar os motivos pelos quais a política particular de cada Estado foi embasada.

A influência do capitalismo e de suas conseqüências no mundo pós-moderno se mantiveram como importantes referências ao longo da discussão.

Texto por Tábata Romero

Foto por Tábata Romero

Published in: on 8 novembro, 2008 at 2:59 pm  Deixe um comentário  

Palavra de Audeumaro Taranto a respeito de Ouro Preto e sua magia

Estudioso das obras de Machado de Assis e Guimarães Rosa, Audeumaro Taranto Goulart conversa abertamente com o estudante de jornalismo Douglas Gomides sobre suas perspectivas a respeito da cidade de Ouro Preto e a mágica que nela transparece.


Published in: on 7 novembro, 2008 at 5:26 pm  Deixe um comentário  

A história brasileira em uma perspectiva portuguesa

Francisco Seixas da Costa, embaixador de Portugal no Brasil, é um estudioso das relações entre Portugal e Brasil desde a época da colonização. Nessa interessante conversa, Júlia Abrão e Douglas Gomides abordaram diversos aspectos das duas culturas, a portuguesa e a brasileira. Francisco Seixas relaciona as literaturas de ambos países e também fala sobre os mistérios do passado português na cidade de Ouro Preto.

veja a entrevista completa em:

Published in: on 7 novembro, 2008 at 4:57 pm  Deixe um comentário  

Entrevista com o escritor Fuad Yasbeck

Logo depois da palestra “1808 – a invenção do Brasil”, aproveitei para conversar com um de seus participantes. O escritor Fuad Yazbeck disse sobre a diferença entre a escrita historia e a literária, bastante discutida em sua palestra. Yazbeck é autor de diversas crônicas, contos e artigos científicos. Segundo ele, na literatura você tem uma certa liberdade que a história não permite.

“Quando você faz um trabalho de história, você está subordinado aos rementos, aos fatos, aos documentos e você deve evitar ao máximo. Pelo menos esse me parece ser o papel do historiador, você deve fazer uma insenção completa para que não haja, sobre o fato, qualquer intervenção de seus próprios valores, das suas idéias e das suas posições. Porém, quando você escreve um romance, você é absolutamente livre para exprimir o que tem em mente, e colocar suas opiniões, colocar suas versões, colocar as suas idéias, suas ideologias.”

Em seguida, Yazbeck comentou sobre diversas mudanças que a literatura brasileira sofreu desde do Século XVIII. O escritor utilizou como exemplo os Incofidentes em Ouro Preto,

” … o horizonte literário se restringia a um horizonte bastante estreito, que era o próprio horizonte de Vila Rica, da Província de MInas Gerais e quando muito, o universo do Brasil.”

Na opinião de Yazbeck, hoje em dia existe um universo que é realmente “universal”, e com isso você tem um público mais abrangente. Nas palavras do escritor, a tecnologia ajudou muito para alcançar tal abrangência. “Isso tudo,é resultado do procresso evolutivo que ocorre na sociedade e, consequentemente, na literatura.”

Escrito por Douglas Gomides

Published in: on 7 novembro, 2008 at 3:31 pm  Deixe um comentário  

A Produção Cenográfica do Fórum das Letras 2008 – Estética, signo e bem-estar

Valéria Neno, cenógrafa, contou ao Palavras em Rede um pouco de sua participação na produção do evento.

No segundo andar do Centro de Convenções, a descontraída conversa se deu num espaço confortável com painel de entrevistas coletivas, mesas, sofás e uma livraria móvel da UFMG. Abaixo, a entrevista.

Felipe Bianchi: Desde quando está envolvida no projeto?

Valéria Neno: Há três anos. Participo desde a segunda edição e minha parte é design de ambiente e cenografia. Fui convidada exatamente para dar uma cara diferente para o evento, essa proximidade em relação as pessoas e autores, essa história da ambientação ser muito descontraída, ter essa liberdade de ter um bar funcionando e as pessoas poderem comer um tira-gosto, tomar alguma coisa, se refrescar, né, porque geralmente essa época é muito quente…

FB: E o ambiente também está bem fresco com aquele sistema de ventilação (nota: sistema de pequenos canos que dão pequenas borrifadas de água seguida de ventilação, para refrescar o ambiente)

VN: Então, esse ano a gente introduziu inclusive o que era um pedido dos anos anteriores, pois havia problema com a climatização. Mas você viu aí que esse ano estamos cheios de ventiladores, jatinhos, uma delícia…

FB: E aqui (em Ouro Preto) é quente a tarde, né.

VN: É, é muito quente.

A gente tem também essa preocupação em relação ao som, iluminação, de que seja uma coisa bem aconchegante e que as pessoas se sintam realmente a vontade.

Eu faço todo o trabalho em cima do logotipo do evento, que é a voluta. Essa voluta barroca, além de combinar muito com Ouro Preto, acho que quer dizer muita coisa dessa sinuosidade das curvas, desses elementos, que eu acho que indica muito também essa liberdade dos escritores e da própria literatura. Muitas curvas, muitas facetas. É muito importante para nós da cenografia as pessoas acharem isso tudo muito bonito. É um clima que ajuda muito na apreciação, as pessoas se sentirem respeitadas por estarem num ambiente agradável.

Esse ano eu trabalhei com a fechadura. Olhar por ela nos remete a história do mistério, e o interessante que coincidiu exatamente eu ter escolhido Dom Casmurro para colocar lá dentro e a Globo ter todo esse estande em cima de Capitu, que está maravilhosa, e eu achei legal essa interação também.

Nossa equipe está muito satisfeita.

É muito interessante a Universidade dar essa oportunidade aos alunos, não só de estar dando bolsas mas também de oferecer um evento que proporciona um ótimo aprendizado.

FB: Quando começou o trabalho dessa quarta edição?

VN: Desde abril estamos trabalhando sobre o tema. O Centro de Convenções tem uma infra-estrutura muito legal. Estamos com uma equipe muito legal.

FB: O tema. O tema por si só já é um mistério.

VN: É. O mistério é essa coisa do atrativo. Todo o trabalho gráfico apresenta formas misteriosas, da voluta, e o painel, que é uma homenagem a Ouro Preto, que é essa coisa belíssima da névoa de Ouro Preto. Coincidentemente, muitas pessoas puderam ver isso no princípio do festival, pois estava chovendo, então puderam ver o que o painel representa.

FB: E esse cenário é uma marca de Ouro Preto, né?

VN: Sim, é lindo, de flutuar. Ouro Preto, que é uma coisa tão densa, tão pesada, flutuando como se fosse pedaços de anjo. O painel ainda tem uma cor diferente do logotipo. Todo ano a gente trabalha muito com o branco, preto e vermelho, que são as cores tradicionais do evento. Dessa vez, usei o azul porque como o Fórum é televisionado pela própria TV Ufop e o CPPA (Centro de Produção e Pesquisa Audiovisual), além de ter cobertura fantástica da Globo Minas, Rede Minas e Canal Futura, e isso vira um programa do Futura depois, eu tive a intenção de usar o azul porque , na TV, essa cor explode em beleza.

FB: Muito obrigado, Valéria. Parabéns pelo trabalho.

VN: De nada, Felipe. Acessarei o blog depois.

Postado por Felipe Bianchi

Published in: on 7 novembro, 2008 at 2:04 pm  Comments (2)  

Entrevista com Clara Lucarelli

Foto por Douglas Gomides

Clara Lucarelli no Centro de Convenções

Antes da conversa com Nelson Motta e Lobão, aproveitei para bater um papo com o público presente. A seguir uma entrevista com Clara Lucarelli de São Paulo, que veio ao Fórum acompanhar seu marido, convidado para participar do evento.

Como você ficou sabendo do Fórum das Letras?

CL: Meu marido é convidado do evento e eu li em alguns jornais também.

Na sua opinião,o que o Fórum das Letras traz para Ouro Preto?

CL: Traz um número grande de pessoas, traz contribuições econômicas e muita gente interessada no movimento cultural da cidade.

Dentre as palestras que irão acontecer,tem alguma especial para você?

CL: Eu gosto muito do Lobão, Nelson Motta, Marçal Aquino, por enquanto foram esses que me chamaram a atenção.

Qual a sua expectativa para o Fórum?

CL: Eu espero acompanhar todas essas palestras e descobrir autores que eu não conheço, principalmente os brasileiros.

Entrevista por Douglas Gomides

Foto por Douglas Gomides

Published in: on 6 novembro, 2008 at 9:16 am  Deixe um comentário  

Entrevista com Caio Padoan (estudante da UFOP que está trabalhando no Fórum das Letras)

No standart da nova minissérie.

No dia 5 de Novembro, a partir das 16:30, começaram as atividades referentes ao Fórum das Letras no Centro de Convenções da UFOP. Ao chegar no local do evento, me deparei com um estande da Rede Globo. Esse Standat tem o intuito de apresentar para a população,a nova minissérie da Globo, denominada Capitu e baseada na obra do grande Machado de Assis. Aproveitei então para bater um papo com o estudante da Ufop e responsável pela apresentação do estande, Caio Padoan. Nessa conversa, perguntei a Caio quais suas expectativas para o Fórum. Ele disse que eram grandes, principalmente com esse tema principal, o “mistério”. Ainda mais em Ouro Preto, que segundo o entrevistado, é uma cidade misteriosa. Caio ainda elogiou a programação: “Tem muita coisa para ser vista. A programação está ótima. Quem vier vai gostar com certeza”. O estudante acredita que a palestra principal do envento será a do cantor Lobão, que na opinião de Caio poderá dar uma boa discussão (nota: quando a matéria foi publicada, a palestra já havia ocorrido). Para finalizar, questionei a importância de um acontecimento tão grandioso como esse para a cidade. O garoto não pensou duas vezes para responder: “Cultura. É ótimo termos eventos culturais para os estudantes e toda a comunidade”.

Entrevista por Douglas Gomides

Foto por Douglas Gomides

Published in: on 6 novembro, 2008 at 8:44 am  Deixe um comentário